STEC crítica afirmações de Paulo Macedo no Parlamento

O sindicato rebate a afirmação que os “trabalhadores da Caixa auferem em média 2.500 euros por mês”, por quer “uma falácia”, já que, diz o STEC, “a esmagadora maioria dos trabalhadores da CGD não aufere nem de perto, nem de longe, tal remuneração”.

O STEC, a Organização Sindical mais representativa dos trabalhadores do Grupo CGD, enviou um comunicado a rebater as declarações proferidas pela Comissão Executiva da CGD na Comissão de Orçamento e Finanças, no passado dia 10, onde foi chamada para esclarecer várias questões, nomeadamente o encerramento de Agências.

O sindicato rebate a afirmação que os “trabalhadores da Caixa auferem em média 2.500 euros por mês”, porque é “uma falácia”, já que, diz o STEC, “a esmagadora maioria dos trabalhadores da CGD não aufere nem de perto, nem de longe, tal remuneração, a não ser que a Administração da CGD esteja a considerar as suas próprias remunerações (mais de três milhões de euros anuais) para chegar a esta média”.

“O apoio extraordinário atribuído pela CGD em dezembro de 2022, que oscilou entre os 600 euros e os 900 euros, foi atribuído a todos os trabalhadores”, disse o CEO, mas o sindicato diz “que mais de 2.000 trabalhadores ficaram excluídos”.

Sobre os prémios de desempenho atribuídos aos trabalhadores, o STEC diz que “estes prémios, para além de terem plafonamentos minimalistas, logo descrentes na capacidade de concretização, sofrem na altura do seu pagamento cortes superiores a 70%, defraudando e enganando os trabalhadores, minando a sua confiança na Empresa e promovendo a sua desmotivação”.

Sobre a “redução de milhares de trabalhadores obtida de forma natural”, o STEC diz que “se esqueceram de referir as muitas centenas de trabalhadores pressionados para abandonar a empresa através de práticas deploráveis e que configuram um claro e condenável assédio moral. O método, começava frequentemente com a retirada injustificada da Isenção de Horário de Trabalho (IHT) a que se seguia a convocatória do trabalhador para apresentação da proposta  de Reforma Antecipada ou Rescisão de Contrato, ameaçando-o com a alteração de funções e transferência de local de trabalho, caso não aceitasse abandonar a Caixa”, refere o comunicado do STEC.

O sindicato critica o facto de o “encerramento de Agências” ter sido “justificada pela poupança de 10 milhões de euros”.

Por fim, sobre a “proposta de aumento salarial da CGD de 3% da média ponderada”, diz ser “uma verdade inaceitável e vergonhosa, dado que os trabalhadores e reformados da CGD sofreram uma enorme perda de poder de compra no ano transato em que a inflação chegou a 7.8%, com um aumento da tabela salarial que não atingiu 1%, a que acresce a inflação prevista para 2023 de cerca de 7% (dados da OCDE)”.

“O sistema inline (dispensador de senhas de atendimento) é perverso, porque faz aumentar os tempos de espera, permitindo aos trabalhadores decidir o seu ritmo de trabalho e parar para beber um, dois ou três cafés, enquanto o cliente espera. Sem as senhas, é o cliente que pressiona o trabalhador colocando-se à sua frente e forçando o atendimento”, cita o STEC que diz que aqui está a explicação “para as filas sucessivas e desordenadas de clientes nas agências”.

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