Suécia: três meses depois das eleições, continua sem governo

Esta semana, o segundo candidato a primeiro-ministro vai a votos no Parlamento sueco. Mas as esperanças são poucas e já há um terceiro nome para o lugar. Entretanto, a ultra-direita sobe nas sondagens.

Inimaginável: a Suécia, um dos ‘príncipes’ escandinavos, está há 90 dias sem governo. Depois de o Partido Social Democrata ter vencido as eleições de 9 de setembro passado com apenas 28,4% dos votos, afigura-se difícil formar um executivo sem o recurso a uma coligação que agregue a ultra-direira dos Democratas Suecos.

O conjunto das forças de esquerda registou 40,6% dos votos, que lhe dá 144 lugares no Parlamento, face aos 40,3% da Aliança, do centro-direita, com 143 deputados, o que indica que nenhum dos blocos tem maioria suficiente para governar sozinho. A extrema-direita, com cerca de 18% dos votos, garante 62 deputados, o que quer dizer que se algum dos blocos se coligasse com os Democratas Suecos de Jimmie Åkesson, poderia ter maioria suficiente para formar governo- Tanto a esquerda como da direita prometeram que não negociariam com a extrema-direita.

Mais de 90 dias depois, a paralisia política na Suécia entra em uma nova dimensão. O país está sem governo, sem primeiro-ministro executivo e sem orçamento. “A crise na Suécia entrou em uma nova fase”, alertou o primeiro-ministro interino, o socialista Stefan Löfven, esta semana, citado por vários jornais.

O presidente do Riksdag, o parlamento sueco, Andreas Norlén, nomeou Ulf Kristersson, líder dos moderados (como Norlen), o principal partido da aliança conservadora (moderados, democratas-cristãos, liberais), para formar governo. Kristersson falhou há duas semanas na primeira votação: a Aliança precisava, pelo menos, da abstenção do DS, um apoio que os liberais não estavam dispostos a aceitar.

Depois disso, os suecos voltaram a ter esperança: a esquerda comunista deixou para trás os seus ideais eurofóbicos para afirmar um compromisso com o primeiro-ministro Löfven, com o qual o centro liberal estava capaz de concordar. A votação foi marcada para quarta-feira passada, 5 de dezembro, mas as declarações do líder do Centro, Annie Loof, dizendo que Löfven não iria aceitar políticas liberais (corte de impostos e regras mais flexíveis no mercado de trabalho), provocou um forte entrave nas negociações.

Löfven pediu tempo e o presidente da Parlamento concedeu-o e hoje será um dia decisivo para o país perceber para que lado vão as negociações. Possivelmente haverá uma segunda votação no Parlamento esta semana para os suecos terem finalmente um governo.

Se a investidura de Löfven falhar, as partes devem sentar-se novamente à mesa das negociações. Não se sabe quem o presidente do Parlamento irá propor como um terceiro candidato a primeiro-ministro, mas analistas citados pelos jornais dizem que o líder da centro, Annie Loof, pode ser o senhor que se segue.

Entretanto, as sondagens não podiam ser mais esclarecedoras: perante a incapacidade de as famílias políticas tradicionais entenderem-se entre si para formarem um governo os estudos de opinião dizem que a ultra-direira é a única formação quem, desde as eleições, continua a governar. Perante este cenário, os Democratas da Suécia não têm de fazer nada: basta-lhes ficarem à espera que os partidos tradicionais se desfaçam entre si.

Recomendadas

Desflorestação na Amazónia cai pela primeira vez no Governo de Bolsonaro

A Amazónia brasileira perdeu 11.568 km2 de cobertura vegetal entre agosto de 2021 e julho de 2022, menos 11,3% que a devastada no ano anterior. É a primeira redução do desmatamento desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

Israel: Netanyahu garante que vai manter a controlo sobre a extrema-direita

Primeiro-ministro designado insiste que os radicais com que formará governo não vão tomar o poder nas suas mãos. “Israel não será governado pelo Talmud”. A incógnita é o que acontecerá com o seu julgamento por corrupção.

Parlamento alemão define como genocídio a “grande fome” na Ucrânia

O parlamento alemão aprovou uma resolução que define de genocídio o ‘Holodomor´’, a “grande fome” que atingiu a Ucrânia em 1932-1933 e que terá vitimado mais de três milhões de ucranianos.
Comentários