Surtos de radicalismo sunita regressam ao Médio Oriente

Turquia capturou “um dos principais líderes” do Estado Islâmico. No Iémen, volta a ameaça da Al-Qaeda. Não muito longe dali, no Sahel, o cenário é o mesmo, com os exércitos regulares sem capacidade para combater os radicais.

Khalil Ashawi/Reuters

O líder islâmico conhecido pelo pseudónimo de Abu Zeyd (que tem como nome verdadeiro Bashar Khattab Ghazal al-Sumaidai) foi detido durante uma operação do serviço secreto turco e da polícia de Istambul, revelaram as autoridades esta sexta-feira. A notícia surge no dia seguinte a ter sido revelado que uma célula da Al-Qaeda está ativa no Iémen, no meio do caos da guerra civil e da deslocação de refugiados.

Estes são apenas os exemplos mais recentes do que os analistas dizem ser o regresso ao Médio oriente de surtos de radicalismo sunita – que podem apontar para o crescimento a curto prazo de ações violentas na região. Para as mesmas fontes, a ação militar da Turquia na Síria está concentrada na perseguição aos curdos, considerados a maior ameaça à segurança do regime de Ancara. Não podiam ser melhores notícias para os herdeiros do Estados Islâmico, que tinham precisamente nos curdos um dos grupos inimigos mais aguerridos ao longo dos mais de dez anos da guerra na Síria.

Foi o próprio presidente Recep Erdogan que anunciou a detenção à chegada à Turquia após uma viagem por três países dos Balcãs, explicando que um relatório da ONU divulgado em julho identificou Al-Sumaidai como “um dos principais líderes da organização terrorista”.

Os serviços secretos turcos ponderam a hipótese de Abu Zeyd ser afinal outro nome para Abu Hassan al-Hashimi al-Qurashi, um iraquiano que se acredita ser o novo líder supremo do Estado Islâmico – derrota no Iraque em 2017 e na Síria em 2019, mas com células adormecidas que aa qualquer momento podem passar ao estado de operacionalidade.

Parece ser esse precisamente o caso do Iémen, onde uma célula ligada à Al-Qaeda – mas sabe-se da porosidade das relações de todos estes grupos – tem levado a cabo diversos atentados, principalmente junto de elementos rebeldes ao regime, que são normalmente conotados com o xiismo iraniano – inimigo interno (no mundo islâmico) do sunismo radical.

Do mesmo modo, os diversos atentados que têm abalado a frágil segurança interna motivada pelo novo regime talibã no Afeganistão têm sempre por alvos as mesquitas ligadas ao xiismo. Para já, e apesar das promessas, o regime não consegue controlar o radicalismo sunita à solta no país.

O radicalismo com raízes no Estado Islâmico e nos seus satélites também tem assolado diversos países de África, nomeadamente no Sahel. A incapacidade das tropas regulares de enfrentarem o jihadismo está na raiz do descontentamento popular que alimentou as revoltas no Mali e no Burkina Faso.

O desacerto dos exércitos é de tal ordem que nem uma intervenção das forças armadas de França – a chamada operação militar Barkhane – foi suficiente para fazer regressar alguma segurança à região. Na Guiné-Conakry o cenário repete-se.

 

Recomendadas

Suécia vai à Turquia debater a extradição dos dissidentes

Tema central para que a Turquia levante qualquer restrição à entrada da Suécia e da Finlândia na NATO, Ancara tem-se queixado de que os países nórdicos fazem pouco para cumprir o acordado. O no governo sueco será certamente mais recetivo.

Vice-ministro talibã quer as meninas afegãs de regresso à escola

Sher Mohammad Abbas Stanikzai parece estar em dissonância face à esmagadora maioria do governo, que admite abrir as escolas ao sexo feminino mas nunca chegou a fazê-lo.

Dezenas de milhares de russos fogem para a Geórgia, Cazaquistão e Arménia

Por não exigirem visto para cidadãos russos, a Geórgia e a Arménia têm sido um destino importante para os russos em fuga desde o início da guerra iniciada em 24 de fevereiro.
Comentários