Talibãs paquistaneses declaram fim do cessar-fogo

O principal grupo talibã do Paquistão declarou unilateralmente o fim de um cessar-fogo assinado há um mês com o governo do Paquistão, que acusou de não cumprir os compromissos.

Os talibãs tinham assinado um acordo com os EUA em 2020 onde prometiam não atacar o seu exército.

O principal grupo talibã do Paquistão, o Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), declarou esta quinta-feira unilateralmente o fim de um cessar-fogo assinado há um mês com o governo do Paquistão e acusou Islamabad de não cumprir os compromissos.

“Nas atuais circunstâncias, é impossível estender o cessar-fogo”, que terminou, disse o porta-voz dos talibãs paquistaneses, Mohamed Khurasani, num comunicado. Segundo a nota, o TTP e o executivo paquistanês realizaram uma primeira ronda formal de negociações a 25 de outubro, sob a mediação do governo provisório dos talibãs no Afeganistão, que chegou ao poder em Cabul a 15 de agosto.

Islamabad comprometeu-se então a criar um comité de dez membros, com representação de ambos os lados, para fazer avançar o diálogo, segundo os fundamentalistas paquistaneses, bem como entregar 102 prisioneiros da TTP.

Entretanto, os talibãs paquistaneses denunciaram que o governo não cumpriu com nenhuma das suas promessas e acusaram as forças de segurança de violação ao cessar-fogo, depois de terem atacado combatentes do TTP na província de Khyber Pathtunkhwa, no noroeste do país e próximo da fronteira com o Afeganistão.

A 8 de novembro, o governo do Paquistão anunciou que tinha chegado a um acordo de cessar-fogo com o TTP como parte do início das negociações entre as duas partes.

Criada em 2007, a TTP é uma organização que agrega vários grupos tribais e tem por objetivo impor um estado islâmico no Paquistão e é um aliado dos talibãs afegãos.

Segundo as autoridades do Paquistão, desde que foi criado, o TTP tem levado a cabo, em conjunto com outros grupos, uma violenta campanha de atentados terroristas em todo o país, que terá causado a morte de cerca de 80 mil pessoas.

No final de abril, num dos últimos grandes ataques, os talibãs paquistaneses provocaram a morte a cinco pessoas e ferimentos noutras 15 num hotel de luxo na cidade de Quetta, capital do distrito homónimo e da província de Baluchistão (leste), numa ação contra o embaixador chinês no Paquistão.

A violência terrorista diminuiu acentuadamente no Paquistão desde que, em junho de 2014, o exército lançou uma operação nas áreas tribais do noroeste do país, que mais tarde se expandiu para o resto do país, enfraquecendo o TTP. No entanto, nos últimos meses, os ataques aumentaram novamente, coincidindo com a subida dos talibãs ao poder no Afeganistão.

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