TAP recua na mudança da frota automóvel e mantém os anteriores Peugeot mais um ano

“A comissão executiva da TAP compreende o sentimento geral dos portugueses”, explicou esta quinta-feira a companhia aérea. A decisão surge depois de vir a público que a empresa iria mudar os carros da administração e de outros gestores para a marca BMW.

A TAP anunciou esta quinta-feira que reviu a decisão de renovar a frota automóvel corporativa e optou por manter os atuais Peugeot durante, no máximo, mais um ano. A companhia aérea argumenta que “compreende” a opinião dos portugueses, depois de um feriado de 5 de Outubro marcado por críticas dos partidos de esquerda e direita, dos sindicatos e de um apelo ao “bom senso” por parte do Presidente da República.

“A comissão executiva da TAP compreende o sentimento geral dos portugueses e, apesar da decisão que tomou quanto à frota automóvel ser a  menos onerosa para a companhia nas atuais condições de mercado,  a TAP procurará manter a atual frota durante um período máximo de um ano, enquanto reavalia a política de mobilidade da  empresa”, revela a transportadora aérea liderada por Christine Ourmières-Widener.

Na terça-feira, a CNN Portugal e a TVI avançaram que a TAP havia encomendado uma nova frota de automóveis BMW – no valor de mercado de, pelo menos, 52 mil euros – para substituir os da Peugeot. Ontem, a empresa veio explicar publicamente que os novos carros para administradores e gestores permitiriam uma poupança de 630 mil euros por ano.

“A TAP dispõe de uma frota automóvel corporativa para a administração e diretores, em regime de renting operacional. Com a opção que fizemos, estamos a poupar anualmente até 630 mil euros, se tivéssemos mantido os carros que temos hoje”, defendeu a companhia, através de um comunicado interno, ao qual o Jornal Económico teve acesso.

Em causa estavam 50 viaturas, que até esta quarta-feira eram vistas como um bom negócio para a TAP. No entanto, a polémica escalou e agora a empresa precisará de mais tempo para estudar a opção de mobilidade.

Sobre a escolha da BMW, a TAP tinha esclarecido que se deveu a um concurso ao mercado, para o qual foram convidadas seis entidades a operar em Portugal. “A proposta escolhida foi a que apresentou o preço mais baixo, com uma renda mensal de 500 euros. Como referência, as outras propostas apresentadas à TAP com valor mais competitivo contemplavam rendas mensais de 750 euros”, adiantou a comissão executiva, na mesma nota publicada ontem.

Notícia atualizada às 16h16

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