TAP. Partidos criticam Governo e Pedro Nuno Santos no caso de Alexandra Reis

Pedro Nuno Santos, antigo ministro das Infraestruturas, esclareceu que afinal havia sido informado da indemnização da TAP paga a Alexandra Reis, assumindo que autorizou o pagamento da mesma. Uma revelação que está a merecer a crítica dos partidos.

Cristina Bernardo

Pedro Nuno Santos, antigo ministro das Infraestruturas e da Habitação, admitiu esta sexta-feira que afinal sabia da indemnização paga a Alexandra Reis, assumindo que autorizou o pagamento da mesma. Esta revelação está a merecer a crítica dos partidos, que apontam para uma “incapacidade crónica” do Governo em lidar com a verdade e para “leviandade” por parte do ex-governante.

“Urge-se clarificar toda esta situação da TAP. Mas mais importante do que resolver o problema da TAP é resolver uma questão interna dentro deste governo, que é a incapacidade crónica de lidar bem com a verdade e incapacidade crónica de conviver com o escrutínio saudável em democracia”, disse o vice-presidente do PSD, Miguel Pinto Luz, em declarações à agência Lusa.

Para o dirigente do PSD, estes novos dados “são graves”, lembrando que quando o ministro Pedro Nuno Santos nomeou Alexandra Reis para a presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV) “sabia da indemnização” de 500 mil euros. Miguel Pinto Luz considera que os esclarecimentos prestados por Pedro Nuno Santos são “uma confirmação de que não há comunicação dentro do Governo”.

Já João Cotrim Figueiredo apontou para uma “certa leviandade” por parte do ex-ministro das Infraestruturas que “agora é que se lembrou que houve um pequeno pormenor de 500 mil euros” de indemnização paga a Alexandra Reis. As declarações foram feitas à margem da VII Convenção Nacional da IL este sábado.

Por outro lado, a porta-voz do PAN lamentou que Pedro Nuno Santos não tenha feito mais cedo o “escrutínio” sobre a indemnização de Alexandra Reis, mas saudou a sua “assunção de responsabilidades”, esperando que seja replicada por Fernando Medina.

“Esperamos é que este exemplo seja replicado pelo Ministério das Finanças, pois não podemos esquecer que a TAP tem uma dupla tutela – das Infraestruturas, mas também das Finanças – e certamente que, se foi dado conhecimento [da indemnização de Alexandra Reis] às Infraestruturas e à Habitação, muito nos espanta que não tenha sido dado conhecimento ao ministério das Finanças”, sublinhou Inês de Sousa Real.

Já André Ventura, do Chega, criticou “a leviandade” com que o ex-ministro Pedro Nuno Santos deu luz verde à indemnização da ex-secretária de Estado Alexandra Reis. “Isto é grave demais”, afirmou o político, num comunicado, em vídeo, em que diz também que o antigo governante quis antecipar-se à comissão parlamentar de inquérito sobre a TAP.

“[O antigo ministro] apenas fez este comunicado porque sabia que, na comissão de inquérito, isto ia tornar-se claro como água” e “porque sabia que a TAP iria apresentar esta documentação”, sublinhou Ventura.

Também o secretário-geral do PCP já reagiu, tendo dito que “não espanta” o anúncio de que Pedro Nuno Santos foi informado da indemnização. “Não espanta essa afirmação do ex-ministro porque, por aquilo que foi surgindo [nos últimos dias], era uma questão de tempo até isso ficar claro”, sublinhou Paulo Raimundo em declarações aos jornalistas no final da IX Assembleia do Setor Intelectual da Organização Regional de Lisboa, que decorreu hoje na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Apesar desta constatação, o secretário-geral do PCP afirmou que a questão envolvendo Pedro Nuno Santos “não é o que preocupa” o seu partido.

“O que nos preocupa é nós estarmos perante uma gestão de uma empresa pública, que é a TAP, que, no fundo, está a ser gerida no sentido da sua privatização. Ora, ela precisa de ser gerida no sentido de responder à necessidade pública, e não ter princípios de gestão” praticados no privado, referiu.

Na sexta-feira, o antigo ministro, que se demitiu na sequência precisamente do caso da indemnização paga à então recém-nomeada secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis, aquando da sua saída da TAP, admitiu que foi num exercício de tentativa de “reconstruir a fita do tempo” que se deparou com uma comunicação informal com a sua chefe de gabinete e o secretário de Estado Hugo Mendes.

Ainda assim, Pedro Nuno Santos garante que “nenhum dos três tinha memória” desta comunicação, tendo reforçado a necessidade de revisitar toda a correspondência com o secretário de Estado depois da audição da diretora executiva da companhia aérea no parlamento.

Notícia atualizada às 19h12

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