TAP. Técnicos de manutenção de aeronaves pedem fim dos cortes salariais

A concentração foi organizada pelo SITEMA – Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves e juntou centenas de associados, primeiro junto a um dos hangares da TAP, prosseguindo em marcha até à portaria principal da companhia aérea portuguesa.

Mais de 300 técnicos de manutenção concentraram-se, esta terça-feira, 24 de maio, junto à TAP, para celebrar o dia mundial dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (TMA) e numa homenagem aos técnicos que se encontram em processo de despedimento na companhia aérea portuguesa.

As cerca de 300 pessoas concentraram-se hoje junto à entrada da TAP, em Lisboa, reivindicando o fim dos cortes nos salários dos técnicos de manutenção de aeronaves (TMA), que em alguns trabalhadores representam “40% do vencimento”, segundo o sindicato.

“Nós sujeitámo-nos a cortes, no nosso caso, que rondam 40% do vencimento, e agora o mercado está a abrir – temos uma série de colegas que têm oportunidade de emprego fora de Portugal  e, na prática, as pessoas estão a sair, porque o nível de cortes que estamos a ter são insustentáveis”, afirmou à Lusa o presidente da direção do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (Sitema), Paulo Manso.

O sindicalista referiu que atualmente “nem toda a gente está com cortes a este nível”.

A concentração foi organizada pelo SITEMA – Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves e juntou centenas de associados, primeiro junto a um dos hangares da TAP, prosseguindo em marcha até à portaria principal da companhia aérea portuguesa, onde decorreu um plenário comemorativo do dia do TMA.

“Hoje, relembramos a importância dos TMA para a segurança da aviação. Estes técnicos estão sujeitos a anos de formação e é-lhes constantemente exigido terem um raciocínio e discernimento que, perante uma anomalia num avião, consiga tomar as melhores decisões, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista da segurança”, começou por dizer Paulo Manso, presidente da direção do SITEMA.

O responsável relembrou, ainda, o processo de despedimento em curso na TAP, que neste momento envolve seis TMA.

“Estamos solidários com os nossos colegas em processo de despedimento na TAP. Infelizmente cada vez há menos técnicos disponíveis e, apesar dos cortes a que fomos submetidos durante a pandemia, o trabalho mantém-se igual. É, por isso, incompreensível que estejam a dispensar técnicos qualificados”, acrescentou.

Em Portugal, existem, atualmente, mais de 1.200 técnicos de manutenção de aeronaves.

Sobre esses despedimentos, que levaram à colocação de seis ações em tribunal em janeiro e que ainda decorrem, o sindicalista diz que há “muito poucas dúvidas que estes colegas vão ter de ser readmitidos, porque este despedimento coletivo não teve qualquer lógica”.

No que toca à restituição dos salários, Paulo Manso diz que “não há conversa” com o Governo, que defende que é “com a administração que essa conversa tem de ser feita”.

Já com a administração da empresa, o presidente da direção do sindicato referiu que houve duas reuniões recentemente.

“O que é facto é que aquilo que nos estão a propor em termos de devolução de parte dos nossos cortes não é aceite pelos colegas, porque o que nós queremos agora é que todos os cortes que fizemos […] nos sejam devolvidos”, apontou, sublinhando que o que está a ser pedido “não são aumentos”.

Paulo Manso acrescentou que não há uma “data-limite” para a anulação destes cortes, mas foi acordado que a retoma da atividade aérea deveria corresponder à retoma dos salários dos trabalhadores.

O sindicalista tem esperança de que as reivindicações dos trabalhadores sejam correspondidas pela administração da TAP e estimou a saída de um TMA por semana, algo que considera “gritante numa classe que já estava bastante diminuída em termos de efetivos”.

Paulo Manso mostrou-se aberto à realização de uma greve dos TMA caso as reivindicações dos trabalhadores não sejam correspondidas.

Na concentração, que se realizou no dia em que se assinala o dia mundial dos técnicos de manutenção de aeronaves, Miguel Costa, que trabalha na TAP há sete anos, considerou que não há “uma perspetiva de futuro neste momento”.

“A perspetiva de futuro é quase nula porque este acordo está assinado até 2025”, lamentou, assinalando que esta é “uma profissão de extrema responsabilidade”.

“É muito complicado estarmos aqui a assumir a responsabilidade por centenas ou milhares de pessoas que viajam diariamente e recebermos este tipo de remuneração”, lamentou o trabalhador que hoje diz receber cerca de 1.100 euros por mês num trabalho muito especializado.

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