“Tática manhosa”. PSD critica PCP por saída de autarca do Seixal três anos antes do fim do mandato

“O PCP premeditou esta renúncia e esta substituição ainda antes das eleições autárquicas de 2021 com o intuito claro de ludibriar os eleitores”, acusa o PSD depois de Joaquim Santos anunciar a sua saída apenas um ano depois de ter sido eleito.

Foto de Luis Miguel Martins / Camara Municipal do Seixal

O autarca do Seixal anunciou a sua demissão do cargo apenas um ano após ter sido eleito e três anos antes do fim do mandato. Eleito pela CDU (coligação PCP mais PEV) Joaquim Santos (na foto) está no seu terceiro e último mandato à frente deste bastião comunista, um dos seis que restam e que se mantém irredutível desde 1976.

O concelho da margem sul do Tejo, no distrito de Setúbal, é também a casa da Festa do Avante, o evento do PCP que se realiza anualmente no início de setembro.

“Entendo neste momento cessar [o mandato] em virtude de regressar à minha carreira profissional”, anunciou Joaquim Santos na quarta-feira num vídeo publicado nas redes sociais da autarquia seixalense.

“Irei assumir novas tarefas no PCP e na CDU. Continuarei a ser militante do PCP e a ter também novas tarefas no meu partido”, acrescentou.

“Não é já a despedida de presidente, continuarei mais algum tempo, para preparar a transição para o novo plano de atividades para 2023 para que a transição se faça em todas as condições e para que esta câmara municipal continue do lado dos cidadãos e dos nossos munícipes”, acrescentou.

O novo presidente da autarquia vai ser Paulo Silva. Eleito pela CDU, é atualmente vereador com o pelouro da Cultura, Juventude, Participação, Desenvolvimento Social e Saúde.

Nas últimas autárquicas, o PCP-PEV voltou a vencer (37%) e cinco mandatos, seguido do PS (36%) e quatro mandatos, do PSD (9%) e um mandato e do Chega (8%) e um mandato.

Em reação, o PSD Seixal veio a público “manifestar o seu veemente repúdio com o processo de “substituição” do Presidente da Câmara do Seixal que se encontra em curso. As eleições autárquicas realizaram-se há menos de um ano, mas já se sabe há meses, que o ainda Presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, irá renunciar ao mandato. O que não se sabe, ainda, é se a renúncia é voluntária e por vontade do próprio, ou se forçada pelo PCP”.

Os sociais-democratas destacam que o vereador Bruno Vasconcelos (PSD) tinha questionado diretamente o autarca a 10 de agosto sobre a sua renúncia, mas Joaquim Santos tinha afastado essa possibilidade. Mas horas depois, o autarca “publicou um vídeo nas redes sociais do Município do Seixal onde afirmou que, afinal, iria sair do cargo, confirmando por fim aquilo que já havia sido amplamente difundido por toda a comunicação social e, inclusive, confirmado pelo próprio PCP”.

“Através deste triste processo, pode-se concluir que o PCP premeditou esta renúncia e esta substituição ainda antes das eleições autárquicas de 2021 com o intuito claro de ludibriar os eleitores, apresentando candidatos, não para os 4 anos do mandato, mas apenas para completarem o tempo que o partido considerou necessário para operar às substituições dos cabeças-de-lista eleitos no quadro do seu exclusivo interesse”, acusa o PSD.

Os sociais-democratas recordam também o caso do presidente da União das Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, António Santos que também renunciou ao cargo depois de ter sido eleito. E o PSD alerta que o mesmo poderá acontecer com o “presidente da junta de freguesia de Amora, Manuel Araújo, à semelhança do que já havia sucedido noutros mandatos”.

“O PSD não deixará de denunciar aquilo que considera ser uma prática tacticista, manhosa e ardilosa do PCP, com o objetivo de enganar os munícipes do Concelho do Seixal”, conclui o PSD.

Chega elegeu um vereador, mas Ventura retirou-lhe a confiança

Nas suas primeiras autárquicas, o Chega obteve 8% dos votos no Seixal, tendo eleito um vereador para a câmara municipal e obtido três mandatos para a Assembleia Municipal.

Henrique Freire é atualmente vereador sem pelouro na autarquia do Seixal, mas entretanto foi-lhe retirada a confiança política por André Ventura.

“Houve uma violação direta das regras do partido de não pactuar com partidos que têm destruído Portugal”, disse o líder do Chega em fevereiro de 2022, citado pela “Lusa” sobre o caso de Henrique Freire e o de Márcio Souza, vereador na câmara de Sesimbra. “Isto é inadmissível e nenhum partido antissistema pode viver com isto de forma complacente e de forma tolerante. A minha decisão foi por isso imediata: comunicar à Direção Nacional do partido que estes dois vereadores deixariam de representar o partido e as suas estruturas, deixariam de representar o seu combate político e passarão a agir como independentes”, afirmou então André Ventura.

PCP perdeu sete autarquias nas últimas eleições

Nas últimas eleições, a CDU (PCP/PEV) perdeu sete autarquias e ficou com 19 câmaras sob a sua gestão. Os comunistas perderam três bastiões comunistas que mantinham desde 1976: Montemor-o-Novo, Mora (Évora) e Moita (Setúbal). Mas mantiveram seis: Avis (Portalegre), Arraiolos (Évora), Serpa (Beja), Santiago do Cacém, Palmela e Seixal (Setúbal).

No distrito de Beja, os comunistas mantiveram três autarquias – Cuba (João Português), Serpa (Tomé Pires) e Vidigueira (Rui Raposo) -, perderam uma (PS venceu o Alvito), e conquistaram outra, com Leonel Rodrigues a vencer Barrancos.

No distrito de Évora, manteve duas autarquias (Arraiolos e Évora), perdeu três para o PS (Montemor-o-Novo, Mora e Viana do Alentejo) e uma para o PSD/CDS (Vila Viçosa).

Em Faro, os comunistas mantiveram a sua única autarquia algarvia: Silves, onde Rosa da Palma vai continuar a liderar durante quatro anos.

No distrito de Portalegre, os comunistas mantiveram as duas autarquias: Nuno Silva venceu em Avis, e Gonçalo Lagem venceu em Monforte.

Em Lisboa, José Quintino venceu em Sobral de Monte Agraço, enquanto em Loures, Bernardino Soares perdeu a autarquia para Ricardo Leão do PS.

Em Santarém, a CDU manteve a autarquia de Benavente (Carlos Coutinho), mas perdeu a de Alpiarça para Sónia Mendes do PS.

No distrito de Setúbal, o PCP manteve as autarquias de Alcácer do Sal (Vítor Proença), Grândola (António Mendes), Palmela (Álvaro Beijinha), e Seixal (Joaquim dos Santos),

Na margem sul do Tejo, a CDU aguentou a autarquia do Seixal atingindo 37,7% (5 vereadores), com o PS a alcançar 30,86% e quatro vereadores. Já o PSD obteve 9,3% (um vereador) e o Chega conseguiu eleger um vereador com 8,07% dos votos. Em 2017, o PCP venceu com 3.036 votos de avanço, mas este ano voltou a dilatar a vantagem com 4.461 votos a separá-lo do PS.

Noutro histórico bastião comunista, a Moita, também do PCP desde o 25 de abril, o PS venceu a autarquia com 37,63% (quatro vereadores) contra os 33,07% do PCP-PEV (também quatro vereadores).

Os comunistas acabaram também por manter a autarquia de Sesimbra: 35% dos votos (três vereadores), com o PS a obter 30% (três vereadores) e o Chega elegeu um vereador (9%).

A cidade de Setúbal também permaneceu nas mãos da CDU, apesar da saída de Maria das Dores Meira por ter já cumprido três mandatos. O PCP-PEV venceu na cidade sadina com 34,40% dos votos (5 vereadores), seguido do PS com 27,67% (4 vereadores) e do PSD com 16,57% (dois vereadores).

Já em Almada, a CDU não conseguiu conquistar novamente a autarquia, com o PS a obter 39,8% dos votos (cinco vereadores), com a CDU a atingir 29,6% e quatro vereadores. Na cidade da margem sul do Tejo, o PSD e o Bloco conseguiram eleger um vereador cada.

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