Taxa de desemprego recua para 5,7% no segundo trimestre (com áudio)

A taxa de desemprego fixou-se em 5,7%, entre abril e junho, avança o INE. Tal valor corresponde a um recuo não só face ao arranque do ano, mas também em comparação com o período homólogo de 2021.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O desemprego voltou a encolher, no segundo trimestre de 2022. De acordo com o destaque publicado esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa situou-se em 5,7%, menos 0,2 pontos percentuais (p.p) do que no arranque do ano e menos 1,0 p.p. do que no trimestre homólogo de 2021. Já a população empregada manteve-se “praticamente inalterada” face aos primeiros três meses de 2022, mas cresceu quase 2% face ao período homólogo.

É preciso recuar até ao primeiro trimestre de 2020 para encontrar uma taxa de desemprego idêntica à registada entre abril e junho de 2022, sendo este valor o mais baixo desde, pelo menos, 2011, ano em que se iniciou a atual série.

Por outro lado, segundo o gabinete de estatísticas, em três regiões do país registaram-se taxas superiores à média nacional. Em causa estão a Região Autónoma da Madeira (7,3%), a Área Metropolitana de Lisboa (6,9%) e a Região Autónoma dos Açores (5,9%). Já o Norte (5,5%), o Algarve (5,3%), o Centro (5,2%) e o Alentejo (4,4%) ficaram abaixo da média.

“Em termos trimestrais, a taxa de desemprego aumentou apenas na região Norte (0,1 p.p.), tendo-se mantido inalterada na Área Metropolitana de Lisboa. Foram observados decréscimos nas restantes cinco regiões, com destaque para o Algarve (1,7 p.p.)”, sublinha o INE. De notar que o segundo trimestre fica, tradicionalmente, marcado pelo reforço dos fluxos turísticos, o que ajuda a explicar a evolução do desemprego na região algarvia.

E no que diz respeito aos mais jovens (16 a 24 anos), a taxa de desemprego baixou para 16,7%, menos 3,9 p.p. do que no trimestre anterior e menos 7,0 p.p. do que no arranque de 2021.

Tudo somado, o gabinete de estatística dá conta de que  a população desempregada (298,8 mil pessoas) diminuiu 3,1% (9,6 mil) em relação ao trimestre anterior e 13,6% (46,9 mil) relativamente ao trimestre homólogo.

“De referir que, no segundo trimestre de 2022, 50,9% da população desempregada se encontrava nesta condição há 12 ou mais meses (desemprego de longa duração), valor superior em 4,7 p.p. ao do trimestre precedente e em 6,2 p.p. ao do trimestre homólogo”, realça o INE, que detalha que o peso do desemprego de muito longa duração cresceu, no período em causa.

Já quanto à população empregada, entre abril e junho, havia 4.901,8 mil pessoas nessa situação, universo que se manteve “praticamente inalterado” face ao trimestre anterior, mas aumentou 1,9% (91,3 mil indivíduos) face a trimestre homólogo. “De modo semelhante, também a correspondente taxa de emprego, que se situou em 56,4%, se manteve inalterada em relação ao primeiro trimestre de 2022 e aumentou relativamente ao segundo trimestre de 2021 (1,1 p.p.)”, adianta o destaque publicado esta manhã.

Por outro lado, na segunda metade do primeiro semestre de 2022, a subutilização do trabalho abrangeu 600,7 mil pessoas, o que significa que houve um recuo de 2,8% face ao trimestre anterior e de 8,2% face ao período homólogo. A taxa de subutilização do trabalho situou-se, assim, em 11,2%, menos 0,3 p.p. do que nos três meses precedentes e menos 1,1 p.p. do que há um ano. Já a população inativa com 16 e mais anos aumentou 0,3% em relação ao trimestre anterior e diminuiu 1,1% relativamente ao homólogo.

Convém explicar que a subutilização do trabalho inclui desempregados, subemprego em tempo parcial, inativos disponíveis para trabalhar, mas que não procuram um novo posto e inativos que procuram emprego mas não estão disponíveis para começar um novo trabalho.

Quase 20% dos trabalhadores passaram o segundo trimestre em teletrabalho

Entre abril e junho, 19,6% da população empregada esteve em teletrabalho, isto é, trabalhou a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação. Em causa estão 958,6 mil pessoas, indica o INE, que precisa que quase 60% destes indivíduos pertencia ao grupo
profissional dos “especialistas das atividades intelectuais e científicas” e 75,1% tinha ensino superior.

“Um empregado com uma profissão neste grupo profissional tinha uma probabilidade de estar em teletrabalho superior em 8,0 pontos percentuais (p.p.) à de um empregado com uma profissão na classe de referência. De igual modo, a probabilidade de um empregado com ensino superior estar em teletrabalho é 11,7 p.p. mais elevada do que para aqueles que completaram, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico”, revela o gabinete de estatísticas esta quarta-feira.

(Notícia atualizada às 11h40)

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