Taxa de esforço média na Caixa ronda os 33% no crédito da casa

A taxa de esforço – o peso dos créditos no rendimento disponível – fica abaixo de 40% em 72% dos contratos à habitação na Caixa Geral de Depósitos. Já a taxa média situa-se nos 33%, revelou o banco estatal esta quinta-feira.

Cristina Bernardo

A inflação elevada e a consequente subida das taxas de juro está a pressionar as famílias com crédito à habitação. Um agravamento da situação financeira que levou o Governo a adotar um conjunto de medidas para apoiar quem tem empréstimos da casa. Apesar do contexto, a Caixa Geral de Depósitos garante estar “tranquila”, numa altura em que a taxa de esforço – o peso dos créditos no rendimento disponível – dos clientes ronda, em média, os 33%.

“A curva é muito mais equilibrada no sentido de termos uma maior exposição a contratos com taxa de esforço contida”, afirmou Maria João Carioca, administradora financeira da CGD, na apresentação das contas para os primeiros nove meses do ano, quando o banco obteve lucros de 692 milhões de euros.

Neste período, a produção de crédito à habitação em Portugal atingiu 2,4 mil milhões de euros contribuindo para um crescimento de 1,5% da carteira. De acordo com o banco estatal, a prestação média na carteira de crédito à habitação fica abaixo dos 250 euros, com a prestação média mensal a rondar os 244 euros.

Por outro lado, a taxa de esforço fica abaixo de 40% em 72% dos contratos, com a taxa média a situar-se nos 33%. “Nos contratos mais recentes, celebrados após 2017, potencialmente de famílias mais jovens, a taxa de esforço é de 23%”, detalhou ainda Maria João Carioca.

Há, por isso, uma “relativa tranquilidade” no banco estatal, salientou, naquele que é um contexto de subida das taxas. Perante isto, o Governo aprovou um diploma para apoiar as famílias com crédito à habitação, obrigando a banca a contactar os seus clientes e a apresentar soluções adequadas, nomeadamente quando a taxa de esforço supera os 36%. O diploma, que ainda não é conhecido, “refere que a taxa de esforço é calculada sobre todos os créditos”, mas também diz que “apenas se aplica aos créditos de habitação permanente”.

A solução já foi questionada pela banca. Esta quinta-feira, na Money Conference, Paulo Macedo reconheceu a importância do diploma, mas alerta que é preciso ter “cuidado com as nuances”, nomeadamente se os créditos incluídos na medida devem ser de até 300 mil euros ou se o valor deve ser menor. Na Caixa, o montante dos empréstimos para a casa situa-se, em média, abaixo dos 90 mil euros. E o crédito em dívida é menos de 60 mil euros, detalhou durante a conferência de resultados.

“Vai haver necessidade de reestruturar alguns dos créditos. Já fomos contactos e já contactámos diversos clientes”, disse, por outro lado, o CEO da Caixa na conferência de resultados, notando que “independentemente do diploma, o banco contactaria sempre os seus clientes”, nomeadamente as empresas, para as quais não há diploma. Relembrou ainda que durante a pandemia foram reestruturados mais de três mil créditos.

De acordo com o gestor, o impacto do aumento das taxas de juro vai depender do nível que irão alcançar. “Se andarem à volta dos 3% não será muito diferente do que aconteceu no passado”, mas se se registar um aumento significativo, a “carteira da Caixa ressentir-se-á”.

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