Taxa fixa ou variável: como escolher?

Taxa fixa ou variável? Esta questão é colocada a todos os que contratam um crédito habitação. Descubra, no nosso artigo, como escolher.

Para contratar um crédito habitação, deve decidir se prefere uma taxa fixa ou variável. A escolha vai determinar quanto paga por mês e como o orçamento familiar é afetado pelos acontecimentos à sua volta.

Afinal, qual compensa mais? Descubra, neste artigo da autoria do ComparaJá, as características, vantagens e desvantagens de cada opção, e como escolher.

O que é taxa fixa?

A taxa fixa é o valor de juros que vai pagar quando contrai um empréstimo e mantém-se inalterável até ao final do contrato. Isto significa que o valor que vai pagar ao banco (composto pela amortização do capital e os juros), também se mantém inalterável.

Como fazem os bancos para determinar o valor da taxa fixa a cobrar ao cliente?

A entidade bancária considera a taxa de juros fixa que irá pagar para obter o capital que vai emprestar, tendo em conta o valor praticado no mercado interbancário. Este valor considera os grandes acontecimentos macroeconómicos, como a guerra na Ucrânia e a pandemia.

Além disso, são também tidos em conta alguns fatores como o risco de crédito ao cliente, as garantias fornecidas (como hipoteca ou fiança) e, no caso do crédito habitação, o loan-to-value, que designa a relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel.

O que é taxa variável?

Como o próprio nome indica, a taxa variável sofre alterações ao longo do empréstimo. O valor dos juros está condicionado à taxa Euribor. Dito doutro modo, quando a Euribor sobe, a sua prestação também sobe. Se descer, pagará menos por mês. Neste modelo, é muito difícil (se não impossível) saber ao certo quanto vai pagar ao certo até à maturidade.

A taxa Euribor é calculada diariamente pela Federação Europeia de Bancos com base nos juros praticados pelos principais bancos pertencentes à zona Euro. É, portanto, a referência para o cálculo dos juros para crédito habitação e outros produtos financeiros.

Assim, uma taxa variável recalcula os juros que vai pagar em determinados prazos: uma semana, um mês, três meses, seis meses e doze meses. Isto significa que também nestes períodos, o que paga ao banco é revisto, podendo aumentar ou diminuir. Em Portugal, a grande maioria dos empréstimos tem uma taxa de juro variável.

Quais são as vantagens e desvantagens da taxa fixa?

  • Principal vantagem: maior estabilidade; o valor a pagar ao banco é sempre o mesmo.
  • Principal desvantagem: é uma taxa mais alta do que a variável nas mesmas condições.

A estabilidade proporcionada pela taxa de juro fixa é a principal vantagem. Mesmo que a Euribor suba, a sua prestação ao banco mantém-se igual.

Contudo, esta segurança tem um preço. Normalmente, a prestação de um empréstimo com uma taxa de juro fixa é mais elevada do que se optar pela variável, para as mesmas condições de mercado. O cliente paga um preço mais alto pela segurança de não vir a ter a sua prestação aumentada.

Existem, todavia, casos em que a taxa fixa pode não ser assim tão vantajosa. Por exemplo, um casal sem filhos pode ter maior poder financeiro na fase inicial do empréstimo, e precisar de uma maior contenção de custos quando tiverem crianças.

Neste caso, o facto de pagar sempre o mesmo valor ao banco pode não ser conveniente, se prevê que as suas despesas possam vir a sofrer alterações significativas. Por outro lado, uma prestação que agora é pesada pode ter menor impacto quando evoluir na carreira e na remuneração.

Quais são as vantagens e desvantagens da taxa variável?

  • Principal vantagem: é uma taxa mais baixa que a fixa.
  • Principal desvantagem: vai pagar prestações diferentes a cada 3, 6 e 12 meses, conforme o prazo que escolher e conforme a oscilação da Euribor.

A grande vantagem da taxa variável é que pode beneficiar dos momentos em que a Euribor está em baixa, como tem acontecido nos últimos anos. Se contraiu um crédito recentemente, terá sentido no bolso que a sua prestação desceu, o que dá algum alívio financeiro, especialmente útil quando o orçamento é mais apertado.

Contudo, as oscilações da Euribor são imprevisíveis; pode, durante algum tempo, estar e permanecer baixa (até negativa como tem acontecido nos últimos anos), mas também pode, a qualquer momento, subir, fruto das oscilações sociais, inflação e acontecimentos mundiais significativos.

É exatamente esta a tendências que se prevê para os próximos meses. Por isso, é especialmente importante estar atento às tendências para, se necessário, reajustar o seu orçamento familiar ou renegociar o crédito.

Existe uma terceira taxa?

Sim, existe uma terceira taxa, designada por taxa mista. Ao contrair um empréstimo, pode optar por uma taxa fixa durante os primeiros cinco anos, por exemplo, e aplicar a taxa variável durante o restante prazo.

Assim, num primeiro período, a sua prestação mensal não vai oscilar, mas a partir do momento em que se passa a reger pela Euribor, o valor pode variar. Em suma, a taxa mista combina a fixa com a variável; não é uma, nem é outra, mas ambas, em momentos diferentes do empréstimo.

Esta solução de meio termo pode ter vantagens e desvantagens, dependendo da altura em que o empréstimo for feito. Poderá ajudar na previsibilidade do pagamento e na estabilidade do orçamento familiar nos primeiros anos do contrato; pagando sempre o mesmo valor, poderá criar uma folga orçamental.

Este cenário pode constituir uma vantagem, por exemplo, no caso atrás referido, quando um casal tem mais folga financeira antes de ter filhos. Contudo, pode revelar-se desvantajoso quando o valor parece inicialmente convidativo, mas deixa de o ser quando a modalidade da taxa muda. Nesta altura, não é possível prever como estará a Euribor e, como consequência, quanto vai pagar.

Qual deve escolher?

Esta é uma pergunta para a qual não há resposta definitiva e universal. Não é possível antecipar qual a opção mais económica. O importante é estar devidamente esclarecido sobre todo o processo, para poder tomar decisões informadas e conscientes.

Analise, compare e pondere bem todas as condições oferecidas pelas entidades de crédito. A decisão tem que ser feita caso a caso.

Contudo, deve considerar alguns critérios decisivos, como a estabilidade da sua profissão e dos seus rendimentos, o potencial de progressão na carreira, o valor e o prazo do empréstimo. Uma outra grande ajuda são os simuladores de crédito que o ComparaJá disponibiliza.

É uma forma prática, rápida e segura de obter as informações que precisa de forma comparativa, entre as diferentes instituições de crédito, para ser fácil analisar, comparar e escolher. Use o simulador até encontrar valores confortáveis para si, sem sacrificar a saúde financeira da sua família.

Contratar um crédito é uma das decisões mais importantes que uma família pode tomar. Clareza de informação, a antecipação possível dos vários cenários, planeamento, pesquisa e comparação são essenciais para tomar a decisão acertada.

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