Técnico torna-se palco da ciência e tecnologia espacial até agosto

Pela primeira vez uma instituição de ensino superior portuguesa recebe o Programa de Estudos Espaciais da International Space University. Pelo campus do Taguspark vão passar mais de 250 líderes mundiais, incluindo astronautas, presidentes de empresas e investigadores do espaço.

A ciência e o cidadão comum têm encontro marcado em Talaíde a 23 de julho. Nesse dia, pelas 10 horas, nesta povoação das imediações do Taguspark, em Oeiras, haverá um lançamento de “rockets” aberto ao público. É a possibilidade de ver com os próprios olhos aquilo de que se ouve falar todos os dias na televisão. O acontecimento singular, sobretudo para os jovens que sonham um dia tornar-se cientistas, é um dos muitos momentos extraordinários que integram o plano de estudos do Space Studies Program, SSP22 (Programa de Estudos Espaciais de 2022), promovido pela International Space University (ISU), no campus do Taguspark do Instituto Superior Técnico.

O curso arrancou no passado dia 1 de julho e traz a Portugal mais de 250 líderes mundiais de 30 países, incluindo astronautas, presidentes de grandes empresas, investigadores e especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA), da NASA e de outras agências, de 37 países, incluindo nove portugueses, para nove semanas de formação.

O programa de estudos da International Space University é uma experiência pensada para estudantes pós-graduados e profissionais das mais variadas disciplinas.

Ministrado pelos maiores peritos mundiais em Ciências Espaciais, a formação junta disciplinas tradicionais, como engenharia e ciências, à política espacial, direito, economia, humanidades e artes ligadas ao espaço.

O plano de estudos inclui 50 master classes, 200 seminários interativos, palestras com especialistas nacionais e internacionais, e visitas profissionais a empresas, institutos de investigação e universidades portuguesas: IST Satellite Communications Lab do Técnico, o Instituto Gulbenkian Ciência, a Fundação Champalimaud, o Observatório Astronómico Lisboa, ou o MAAT, entre outros.

Os participantes do SSP22 serão chamados a desenvolver trabalhos que explorem uma das três linhas estratégicas: as oportunidades entre os setor espacial e não-espacial, as interações Espaço-Oceano-Clima e a utilização da microgravidade para desenvolvimento de novos negócios e para a Investigação e Desenvolvimento.

A ciência desce ao público
À semelhança do lançamento de “rockets” em Talaíde, existem outras iniciativas associadas ao programa, visando aproximar o cidadão da ciência do espaço. São de entrada livre, mas de registo obrigatório. Decorrem em língua inglesa.

Exemplo. Dia 18 de julho, pelas 20h30, no Auditório A1 no campus do Técnico, o debate centrar-se-á em torno da divulgação das primeiras imagens do Telescópio Espacial James Webb e tem como protagonista o astrofísico L. Y. Aaron Yung, do NASA’s Goddard Space Flight Center.

Para espicaçar o espírito do mais curioso levantamos um pouco o véu do tema. Os telescópios no Espaço têm sido parte integrante da jornada do homem para explorar o vasto Universo e sobre o Telescópio Espacial James Webb, o mais recente observatório da NASA lançado em 25 de dezembro de 2021, recai muita expectativa. Segundo os cientistas vai ajudar-nos a ver o Universo como nunca o vimos e poderá revelar alguns dos primeiros episódios da história da evolução.

“O Webb é capaz de uma ampla gama de observações e abordará todos os tipos de questões em aberto na astrofísica, desde as primeiras galáxias formadas logo após o big bang até as composições químicas das atmosferas dos exoplanetas”, explicam os cientistas. A apresentação de L. Y. Aaron Yung será uma viagem pela jornada de Webb e uma primeira observação das imagens impressionantes enviadas de volta para a Terra.

Esta quinta-feira à noite, na Fábrica da Pólvora de Barcarena vivenciou-se outro acontecimento extraordinário quando o escritor Michael Benson, acompanhado pelo cientista chefe da NASA James Green, contou ao público como a dupla Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke deu ao mundo a obra prima e primeiro grande espetáculo de ficção científica de Hollywood: 2001 A Space Odyssey, ou como dizemos em português — 2001 Odisseia no Espaço.

Preparado num enorme contexto de pesquisas conduzidas com as principais empresas e instituições americanas na vanguarda da Era Espacial, 2001 foi muito mais do que entretenimento, embora tenha-se tornado o filme de maior bilheteira de 1968.

No dia anterior, os temas do espaço tomaram conta do Auditório do Jardim Parque dos Poetas em Oeiras. Aí aterrou o Painel Internacional de Astronautas, um ponto alto de cada edição da International Space University- ISU. Participantes do curso e público puderam, então, questionar os astronautas Jeffrey Hoffman e Paolo Nespoli sobre como é viver e trabalhar no espaço.

A International Space University é uma instituição privada sem fins lucrativos, especializada na formação dos futuros líderes da comunidade espacial global. Reconhecida pela França e por várias universidades e agências espaciais como instituto de ensino superior, tem o seu campus central em Estrasburgo. Desde a sua fundação formou já mais de 5000 estudantes de 110 países.

O Programa de Estudos da ISU é promovido pela escola de ciências e tecnologias do Espaço, desde a sua fundação em 1987 e acontece todos os anos num local diferente do mundo. Portugal entra pela primeira vez no mapa da instituição como anfitrião do programa, uma conquista que resulta de uma iniciativa conjunta do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e da Agência Espacial Portuguesa, ancorada no município de Oeiras onde fica o Taguspark.

Docentes destacados na Escola de Estudos Espaciais 2022
Os seus nomes fazem voar todos aqueles que sonham com o universo: Jeffrey Hoffman, Paolo Nespoli e Yi So-yeon são astronautas e docentes no programa da ISU.

Comecemos por Jeffrey Hoffman. O astronauta norte-americano, tem cinco missões espaciais no curriculum e foi responsável pela substituição dos painéis solares do Telescópio Espacial Hubble, em 1993, uma experiência que ganha especial relevância quando cada vez mais se fala da necessidade de reforçar os serviços de reparação em órbita.

Que dizer de Yi So-yeon? A pioneira sul coreana foi a primeira mulher do seu país a ir ao Espaço. Já Paolo Nespoli, astronauta italiano, participou na missão responsável por instalar um dos módulos da Estação Espacial Internacional.

Dos Estados Unidos chega-nos o escritor Michael Benson. Autor do livro “Odisseia no espaço: Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke e a criação de uma obra-prima”, partilha no Taguspark todo o seu conhecimento sobre a forma como a ficção condensou o passado da exploração espacial e antecipou muitas das capacidades de exploração cada vez mais autónomas na forma de HAL-9000, o supercomputador que controla a nave.

A lista de docentes destacados da Escola de Estudos Espaciais 2022 não ficaria completa sem os portugueses Rodrigo Ventura e Zita Martins. Ambos ensinam no Técnico e são nomes prestigiados nas suas áreas de expertise.

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