Tecnologia torna “obsoletos” problemas dos contabilistas

No último ano, as empresas tecnológicas têm investido em soluções mais inovadoras para os gabinetes de contabilidade. A PHC Software e a Sage são exemplos, com novos ‘add-ons’ ou arquivos digitais.

A empresa portuguesa PHC Software, uma das que lançou recentemente uma nova tecnologia para contabilidade, considera que os profissionais deste sector podem tirar proveito da digitalização para deixarem de estar afogados em papéis e burocracias. Através da Inteligência Artificial (IA), a tecnológica de Porto Salvo acredita se consegue transformar a profissão – em contabilista 2.0 – e eliminar o excesso de tarefas rotineiras em prol da entrega de melhores serviços, mais ágeis e verdadeiramente orientados para as necessidades dos clientes.

A multinacional liderada por Ricardo Parreira apresentou em setembro de 2021 a solução ‘PHC Go’ para contabilidade, alegando que permitiria poupar tempo e dinheiro na migração do software ou mesmo na formação dos colaboradores. Na prática, trata-se de um add-on (extensão) que é permite saber, por exemplo, quanto é que os fornecedores devem e qual o fluxo de caixa, acompanhar as entradas e saídas de inventário, emitir faturas e comunicá-las automaticamente à Autoridade Tributária, entre outras obrigações legais e tarefas de gestão empresarial e controlo contabilístico e fiscal.

Questionado sobre a adesão ao ‘PHC Go’, o CEO da PHC Software explica que ainda está numa fase de lançamento, mas há “cada vez mais clientes a experimentar”. “Pelo feedback que temos tido, prevemos que ainda mais se juntem daqui em diante. Uma coisa é certa: a tecnologia está a ajudá-los a entrar numa nova era de gestão financeira das empresas e as vantagens são claras. Tudo pode ser facilitado com uso de software. A título de exemplo, a duplicação de trabalho, demasiados processos manuais, e tempo consumido em tarefas administrativas, entre muitas mais”, defende Ricardo Parreira, em declarações ao Jornal Económico (JE).

Sem detalhar, o CEO diz que, atualmente, há “centenas” de gabinetes de contabilidade a utilizar o seu o software e “milhares” de empresas a recorrer aos módulos de contabilidade da marca. “A contabilidade não tem conseguido acompanhar a evolução das outras áreas das empresas. Muitas vezes encontramos duplicação de trabalho, demasiados processos manuais, e tempo consumido em tarefas administrativas. Tudo isto é agora facilitado com uso do software que veio alterar o paradigma anterior. Muitos dos problemas atuais dos contabilistas tornam-se agora obsoletos com uma nova era de menor burocracia e maior autonomia”, afirma.

Em meados de outubro, a Sage – considerada a segunda maior empresa de tecnologia do Reino Unido – anunciou que concluiu a aquisição da Spherics, uma tecnológica que incorpora dados do software de contabilidade de um cliente e faz corresponder as transações a fatores de emissões de carbono para criar uma estimativa inicial da sua pegada ambiental. A solução da Spherics orienta o gestor nessa estimativa, submetendo dados (detalhes do escritório, deslocações dos colaboradores, consumo de energia…) para calcular as emissões de CO2. Assim, estamos perante um negócio que une tecnologia, contabilidade e sustentabilidade – portanto, inovação.

Ao JE, a diretora da unidade de negócios de Contabilistas e Pequenas e Médias Empresas (PME) da Sage disse que a pandemia representou um autêntico “momento de viragem” neste sector, que se teve de adaptar rapidamente e de maneira ágil à prestação dos serviços em modelo remoto e mesmo ao volume de trabalho extraordinário. “Nos últimos dois anos, os contabilistas enfrentaram muitos desafios, não só a nível legal (com as novas questões que surgiram durante este período, como lay-offs, alterações laborais…), mas também na própria relação com o cliente, que teve de se tornar muito mais digital (pelos confinamentos e restrições de mobilidade)”, recorda Ana Teresa Ribeiro. “Contudo, em última instância, este período inicialmente conturbado acabou por ser muito positivo e trouxe consigo uma nova «era» para o sector da Contabilidade, que se modernizou imensamente e passou a estar mais a par dos tempos atuais e da transformação digital em curso”, acredita.

A Sage conta com soluções como o “for Accountants” (arquivo digital e automação de processos), o “50cloud Contabilidade” (para pequenas empresas com contabilista externo), o “100cloud Contabilidade” (verificação e cumprimento das obrigações fiscais) ou o add-on “Arquivo Digital Cloud”. Segundo Ana Teresa Ribeiro, num país como Portugal, em que as PME representam 99% do tecido empresarial, é “importantíssimo que haja apoios e um grande esforço de recuperação para que estas empresas possam continuar a prosperar”. “A recuperação económica acontece através da digitalização. Já se tornou claro para todos que as PME que investem na transformação digital têm demonstrado maior resiliência, mais agilidade e inovação em momentos de crise, e que saem deles com maior facilidade ou até mais reforçadas. As empresas que não se digitalizam ficam inevitavelmente para trás, incapazes de progredir ou competir no mercado”, afiança a responsável pela unidade de Contabilistas e PME da Sage.

Primavera tem 22 mil clientes na Contabilidade
O grupo Primavera também é um dos maiores grupos de fornecedores de software de gestão para PME neste sector da Península Ibérica, uma vez que conta com 800 colaboradores, 75 milhões de euros de receitas e 65 mil clientes, dos quais mais de 22 mil são escritórios de contabilidade.

Num estudo recente elaborado internamente, a empresa concluiu que até 2026 o mercado ibérico de software empresarial deverá crescer 33%, para 1.100 milhões de euros, tendo por base a taxa de adoção de soluções de armazenamento na nuvem, que antes da pandemia (2019) era de 55% em Espanha e ainda menos (45%) em Portugal, comparativamente à dos restantes países europeus, que rondava os 75%.

“A par da atual dinâmica de adoção de tecnologia e das necessidades digitais oriundas dos requisitos regulamentares fiscais e laborais, espera-se que a adoção de soluções de gestão empresarial baseadas na nuvem continue a registar as taxas de crescimento anual de dois dígitos (21% para Portugal e 17% para Espanha) como ocorreu nos últimos quatro anos”, revelou o CEO, Santiago Solanas, aquando da apresentação da nova identidade visual corporativa do grupo.

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