Temperaturas estão a ficar ‘mais quentes’ mais rápido do que as ferramentas dos cientistas podem calcular

“É uma descoberta preocupante que sugere que, se as emissões de carbono não forem cortadas rapidamente, as consequências das mudanças climáticas no calor extremo na Europa, que já é extremamente mortal, podem ser ainda piores do que pensávamos anteriormente”, disse o líder do projeto WWA.

A recente vaga de calor do Reino Unido que fez as temperaturas baterem recordes históricos acima dos 40 graus foi pelo menos dez vezes mais provável devido às alterações climáticas, mostra uma nova análise. O projeto World Weather Attribution (WWA) disse ainda que as suas descobertas provavelmente serão subestimadas, alertando que as ferramentas disponíveis para os cientistas têm limitações, segundo a “CNN”.

Mesmo assim, é dado como certo que as ondas de calor se estão a tornar mais frequentes e mais longas em todo o mundo.

“Este é só mais um de uma série de estudos que mostram o mesmo resultado: as mudanças climáticas tornam as ondas de calor mais prováveis ​​e mais intensas”, disse Radhika Khosla, da Oxford Smith School of Enterprise and the Environment, em resposta à publicação da nova análise da WWA.

A pergunta mais difícil de responder é: “Quanto vai aquecer?”, uma vez que o calor extremo observado na Europa Ocidental aumentou muito mais do que o estimado pelos modelos dos cientistas.

“Enquanto os modelos estimam que as emissões de gases de efeito estufa aumentaram as temperaturas nesta onda de calor em 2˚C, registos climáticos históricos indicam que a onda de calor teria sido 4˚C mais fria num mundo sem aquecimento global por mão humana”, disse a WWA em comunicado. “Isto sugere que os modelos estão a subestimar o impacto real das mudanças climáticas causadas pelo homem nas altas temperaturas no Reino Unido e noutras partes da Europa Ocidental. Isto também significa que os resultados da análise são conservadores e as alterações climáticas provavelmente aumentaram a frequência do evento em dez vezes”.

“Na Europa e noutras partes do mundo, estamos a assistir cada vez mais a ondas de calor recordes, causando temperaturas extremas que se tornaram mais quentes mais rapidamente do que na maioria dos modelos climáticos”, disse Friederike Otto, do Instituto Grantham para Mudanças Climáticas do Imperial College London, que lidera o projeto WWA. “É uma descoberta preocupante que sugere que, se as emissões de carbono não forem cortadas rapidamente, as consequências das mudanças climáticas no calor extremo na Europa, que já é extremamente mortal, podem ser ainda piores do que pensávamos anteriormente”.

Cada fração de grau de aquecimento global trará impactos cada vez piores da crise climática. O mundo já aqueceu cerca de 1,2 graus Celsius em média, e há um consenso crescente de que os humanos devem tentar manter o aquecimento em 1,5 graus para evitar pontos de inflexão para que o equilíbrio ecológico não tenha dificuldades em recuperar.

A partir de sábado, as temperaturas em Portugal vão aumentar, dando início a uma nova vaga de calor que deverá durar seis dias e atingirá sobretudo o interior norte, a zona de Vale do Tejo, o Alto Alentejo, Beja e Faro. Os valores estarão na ordem dos 38ºC e 40ºC, com condições propícias a incêndios rurais, de acordo com a “SIC Notícias”.

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