Bastonário OROC: “Tenho reservas quanto à execução de verbas significativas este ano”

O bastonário da OROC não compreende a falta de alterações substanciais ao OE2022 perante um cenário macro muito incerto, bem como a ausência de uma obrigatoriedade de certificação de contas por um ROC para mais organizações.

Num ano marcado por uma incerteza como não se via há muito, os desafios para a prática de auditoria e revisão de contas são vários, a começar pela implementação do PRR e a retenção de talento. Neste âmbito, o Orçamento do Estado (OE) não trouxe grandes novidades para a área.

Como avalia o OE2022, especialmente num ano em que as verbas do PRR começam a chegar em força à economia portuguesa?
É um OE claramente marcado pela incerteza. Inexplicavelmente para o Governo, as condições macroeconómicas antes e depois do início da guerra da Ucrânia não sofreram alterações significativas que justificassem algo diferente do OE apresentado em outubro do ano passado. Mas, com uma maioria parlamentar e uma oposição débil, tudo se torna menos exigente e escrutinável.

Quanto ao crescimento da nossa economia por consequência da aplicação das verbas do PRR, sou mais cauteloso. Pois, se por um lado, a maioria das verbas do PRR vai ser utilizada pelo sector público – o que sabemos tem um efeito multiplicador menor do que se fossem utilizados pelo sector privado -, por outro, tenho alguma reserva relativamente à capacidade de execução de verbas significativas para este ano.

Que medidas gostaria de ter visto no OE2022 para a área de contabilidade e revisão de contas?
Complementarmente às medidas de simplificação da relação entre o Estado e os contribuintes que têm vindo a ser implementadas, seria expectável que existisse, também por parte do Governo, uma maior sensibilidade para a necessidade de um controlo mais efetivo do cumprimento da lei por parte das diversas entidades, estabelecendo como obrigatoriedade a certificação de contas por parte de um profissional, um Revisor Oficial de Contas, em cada uma destas organizações.

Quais lhe parecem os maiores desafios para a profissão este ano?
Na nossa profissão, os desafios são sempre grandes e em constante evolução.

Diria que, a captação e a retenção de talento são os principais desafios que temos pela frente. Outros poderíamos enumerar, como, por exemplo, a necessidade de as empresas de auditoria/revisão de contas ganharem dimensão e, por conseguinte, estarem assim mais bem preparadas para responder às exigências atuais de qualidade nos processos de auditoria ou intensificar o uso de tecnologias da informação por parte dos auditores nos seus processos. A necessidade de uma permanente capacitação dos profissionais que exercem auditoria e ou revisão de contas está também entre os desafios apontados a curto prazo.

A verdade é que temos, e queremos continuar a ter, profissionais altamente qualificados, fortemente motivados e cada vez mais exigentes na qualidade do trabalho/serviço que prestamos.

Recomendadas

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta quarta-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta quarta-feira.

Revista de imprensa nacional: as notícias que estão a marcar esta quarta-feira

Cinco milhões depois a Feira Popular acabou, burlas nos arrendamentos nos sites imobiliários e justiça europeia investiga dono da TVI são algumas das manchetes que marcam o dia.

Topo da agenda: o que não pode perder na economia e nos mercados esta quarta-feira

Moção de censura do Chega debatida e votada, ANA – Aeroportos de Portugal ouvida na Assembleia da República e deputados decidem se chamam Pedro Nuno Santos por causa do novo aeroporto do Montijo.
Comentários