Tensão cresce. Todos se acusam e ninguém resolve

Continuam no leste da Ucrânia os combates entre os separatistas pró-Rússia e as tropas de Kiev, apesar da trégua estipulada a 5 de setembro em Minsk. A Rússia e a Ucrânia trocaram ontem acusações de não cumprimento do cessar-fogo, com Moscovo a alertar Kiev de que o retomar das hostilidades contra os separatistas pró-Rússia no […]

Continuam no leste da Ucrânia os combates entre os separatistas pró-Rússia e as tropas de Kiev, apesar da trégua estipulada a 5 de setembro em Minsk.

A Rússia e a Ucrânia trocaram ontem acusações de não cumprimento do cessar-fogo, com Moscovo a alertar Kiev de que o retomar das hostilidades contra os separatistas pró-Rússia no leste do país seria uma catástrofe para a Ucrânia.

Por seu turno, Kiev acusa a Rússia de enviar soldados e armas para ajudar os rebeldes a lançarem nova ofensiva no conflito, que já matou mais de 4 mil. Esta semana, as violações do cessar-fogo, a violência em crescendo e os relatos da entrada na Ucrânia de comboios armados não identificados provenientes da fronteira russa aumentaram o receio por parte da comunidade internacional de que a já de si débil trégua caia por terra. A OSCE – Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa informou na terça-feira ter registado a entrada em Donetsk, no leste ucraniano e principal reduto pró-Rússia, de um novo comboio com 43 camiões militares sem distintivo, que transportavam plataformas de lançamento de mísseis e canhões. A região foi abalada por novos bombardeios, sem se saber quem são os autores dos disparos ou se estes vêm do aeroporto da cidade, onde as tropas ucranianas e os rebeldes lutam pelo controlo das instalações – apesar da trégua. Entretanto, Moscovo negou as acusações do envio de tropas e de tanques nos últimos dias para território ucraniano, e acrescenta que o cessar-fogo, tal como estabelecido no protocolo de Minsk, é a única solução para o conflito. O porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Alexander Lukashevich, declarou que o fracasso do cessar-fogo “seria catastrófico para a situação na Ucrânia”.

Kiev, que reforçou a defesa no leste do país em caso de nova ofensiva, diz que os relatos sobre as colunas só confirmam as suas acusações: de que a Rússia está a canalizar reforços para os rebeldes. Zoryan Shkiryak, assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, alerta num comunicado que “a probabilidade de outra invasão de tropas russas é alta… pode acontecer a qualquer momento”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se ontem de emergência, pela 26.ª vez desde o início do conflito, com os EUA a acusarem de novo a Rússia de estar a “alimentar o conflito” e a Rússia a acusar uma vez mais os EUA de estarem a fazer propaganda. Não se chegou a qualquer proposta para reduzir a tensão.

 

Armanda Alexandre com agências

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