Ténues sinais de acalmia… O pior já passou?

A semana termina num registo de abrandamento e dos 303 casos confirmados desde o início do surto, 19 já tiveram alta. Pode Vila Franca de Xira regressar à normalidade? Os números ainda não são suficientemente tranquilizadores. Se por um lado surgem sinais positivos, como o facto de nas últimas 24 horas se terem registado “apenas” […]

A semana termina num registo de abrandamento e dos 303 casos confirmados desde o início do surto,
19 já tiveram alta. Pode Vila Franca de Xira regressar à normalidade?

Os números ainda não são suficientemente tranquilizadores. Se por um lado surgem sinais positivos, como o facto de nas últimas 24 horas se terem registado “apenas” 12 casos (numa clara redução de ocorrências), os 48 casos graves que se encontram internados nas unidades de cuidados intensivos não dão lugar a grande paz. E fica a dúvida: poderemos respirar de alívio?

O balanço feito pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo sobre o dia de ontem aponta para a existência de 303 casos de infeção por legionella e sublinha que 19 desses pacientes já tiveram alta dos hospitais onde estavam internados.

E como ao final do dia o que contam são os números, uma vez mais a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo “não acerta o passo” com a Direção Geral de Saúde (DGS) e frisa que, até ao momento, registaram-se sete vítimas mortais. Sendo que a DGS, no balanço de quarta-feira, revelava já 302 casos de infeção, cinco mortos confirmados e quatro sob investigação. Aliás, ontem, no seu balanço diário, DGS veio manter esse mesmo registo.

O dia de ontem ficou ainda marcado pela confirmação, por parte do Ministério Público, de que está em curso um inquérito relacionado com o surto no concelho de Vila Franca de Xira. Em resposta à agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República precisou que o inquérito “corre termos no DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) da Comarca de Lisboa Norte-Vila Franca de Xira”.

E no que diz respeito a respostas, particularmente sobre os resultados das análises que determinarão a fonte do surto, Francisco George, diretor-geral da Saúde anunciou que poderiam ser conhecidos ainda durante o dia ontem, mas num prazo que se estenderia até às 24h00, e lembrou que desde domingo que a população não corre riscos na zona afetada.

Não houve diálogo. Enfermeiros em greve
Ainda a fechar esta semana, relativamente ao surto de legionella, outro dossier veio juntar-se a estes tempos de inquietude. A direção do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) havia anunciada duas datas para greve nacional destes profissionais da saúde, uma já para hoje e a próxima na seguinte sexta-feira, dia 21.

Uma convocatória que mereceu por parte do Ministério da Saúde o envio de uma carta apelando ao recuo nesta decisão, argumentando para tal com “o cenário extraordinário do surto de legionella”. Nesta carta, o Ministério afirma recear que a greve, a acontecer nos dias anunciados, “possa comprometer a prestação de cuidados de saúde, estando em causa necessidades em saúde indispensáveis e inadiáveis”.“Sem questionar o direito constitucional à greve, solicita-se que, tendo em conta o interesse público e o cenário epidemiológico extraordinário atual, se dignem avaliar a oportunidade da paragem laboral já decretada, as consequências nos cuidados prestados às pessoas e a perceção social sobre a greve e os seus riscos”, refere na carta, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira. O Ministério também argumenta que o surto “ainda não se encontra debelado, podendo aumentar o número de doentes com necessidade de cuidados de saúde” bem como a necessidade de recursos humanos. O passo seguinte seria então uma reunião entre o

Ministério e os enfermeiros mas tal não viria a acontecer. O Ministério da Saúde acabou por desconvocar a reunião, acusando o sindicato de colocar as reivindicações acima do bem estar dos doentes: “infelizmente, o SEP não compreendeu a gravidade do momento e neste contexto de incompreensão face à situação de dificuldades a que as instituições de saúde têm dado excelente resposta, não resta alternativa do que desmarcar a reunião”.

Sónia Bexiga

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