Teresa Marques despede-se da Lusa com críticas à tutela

Nova administração será eleita na próxima assembleia geral, no início de 2018. Presidente cessante queixa-se do “silêncio” da tutela.

A presidente do conselho de administração da Lusa vai deixar a empresa no final do mandato que termina no final deste ano e deverá ser substituída em março, depois de aprovadas as contas em assembleia geral. Numa mensagem de balanço enviada aos trabalhadores da agência de notícias, a que o Jornal Económico teve acesso, Teresa Marques elenca os factos relevantes que marcaram a vida da empresa sob a sua liderança e tece críticas ao comportamento da tutela, o ministro da Cultura.

“A verdade é que termino este mandato sem entender o que se passou. O conselho de administração apresentou uma estratégia de crescimento, de reforço da agência, quer a nível nacional, quer internacional, bem como de reforço do digital”, afirma Teresa Marques, apontando que o Governo “aprovou a estratégia, uma vez que aprovou o Contrato de Prestação de Serviço entre o Estado e a Lusa e reforçou em 20% (desde 2016) o valor da indemnização compensatória”.

Mas acusa que o mesmo governo que aprovou a estratégia “criou regras complexas de autorização que geraram situações como em 2016, em que a aprovação das admissões” de três novos jornalistas “só chegou no final de dezembro”.

Assim, “em junho de 2017, após a aprovação do orçamento, acreditou-se que as autorizações necessárias em cumprimento da legislação em vigor chegariam de forma atempada. Ainda tínhamos meio ano pela frente. Mas desde setembro que a nossa tutela se remeteu a total silêncio, apesar das variadíssimas insistências solicitando resposta a pedidos de autorização de várias ações e projetos, dos quais destaco as relacionadas com substituição de trabalhadores”, conta.

“Soubemos ontem [terça feira, 19 de dezembro] que essas substituições não serão aprovadas em 2017; poderão, ou não, ser aprovadas, dependendo do que vier a ser decidido pelo novo conselho de administração como estratégia para 2018”, revela, acusando: “Foram precisos longos três meses de insistência para finalmente termos a resposta”.
“Assim, a Lusa vai terminar 2017, não com um reforço de trabalhadores no ativo, como havia sido proposto nos Planos de Atividades da Lusa para 2016 e 2017, mas sim com menos seis trabalhadores”, conclui.

Lusa depois da RTP

O Estado é o maior acionista da Lusa, com uma participação de 50,1% no capital. Os outros acionistas são a Global Media (que detém o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e a TSF, entre outros meios), com uma participação de 23,36%, a Impresa (dona da estação de televisão SIC e do jornal Expresso, entre outros meios), com 22,35%, e ainda outros acionistas, com participações inferiores a 1%.

Teresa Marques foi nomeada presidente do conselho de administração da Lusa em janeiro de 2015, na vigência do governo de Pedro Passos Coelho, tendo Miguel Poiares Maduro como ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, com a tutela da comunicação social.

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos, Teresa Marques, de 59 anos, foi vogal do conselho de administração da RTP, por quatro anos, até 2011. Na Lusa, sucedeu a Afonso Camões, que atualmente é diretor do Jornal de Notícias.

Na mensagem enviada aos trabalhadores, a gestora termina dizendo que estará na Lusa, “com o empenho, a dedicação e o otimismo de sempre, até à realização da assembleia geral em que será nomeada a nova administração”, despedindo-se desejando “à Lusa – única agência de notícias de Portugal – votos de um 2018 repleto de novas iniciativas e sucessos”.

O Jornal Económico tentou obter uma declaração do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, mas sem sucesso.

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