Testes garantem que a recuperação não é prejudicada pela falta de crédito, afirma Vítor Constâncio

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, considera que os resultados dos testes de ’stress’ à banca europeia garantem que a retoma da economia não será prejudicada pela falta de crédito. “Os resultados garantem que, daqui para frente, a recuperação económica não será prejudicado por restrições na oferta de crédito”, disse Vítor Constâncio […]

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, considera que os resultados dos testes de ’stress’ à banca europeia garantem que a retoma da economia não será prejudicada pela falta de crédito.

“Os resultados garantem que, daqui para frente, a recuperação económica não será prejudicado por restrições na oferta de crédito”, disse Vítor Constâncio na conferência de imprensa, em Frankfurt, em que apresentou os resultados dos testes de ‘stress’ e da revisão da qualidade dos ativos, levados a cabo em conjunto pelo BCE e pela Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês).

Já citado no comunicado em que o BCE divulgou os resultados, o ex-governador do Banco de Portugal tinha dito que estes exercícios vão permitir “aumentar a confiança pública no setor bancário” e que, ao identificarem problemas e riscos, tornarão os balanços dos bancos mais “resistentes e robustos”.

Além disso, acrescenta, “deve facilitar o crédito na Europa, o que ajudará ao crescimento económico”.

Ainda na conferência de imprensa em Frankfurt, na fase das perguntas, Constâncio considerou estes testes “rigorosos” e rejeitou que venham a revelar-se um falhanço, tal como aconteceu com os últimos realizados pela EBA. Então, não chumbaram bancos que depois vieram a precisar de ajuda, caso de instituições irlandesas, ou do banco franco-belga Dexia que passou os testes de ‘stress’ de 2011 antes de ter ficado à beira da insolvência.

Vítor Constâncio rejeita ainda as críticas ao cenário traçado pelo BCE para a inflação, acima do que agora é perspetivado e quando há mesmo o risco de deflação, dizendo que os cenários não consideram deflação porque o BCE não acredita que isso “vá acontecer”.

Os testes de ‘stress’ e a avaliação da qualidade de ativos, realizados em conjunto pelo BCE e pela EBA, têm como objetivo ‘avaliar’ a saúde da banca europeia, antes de o BCE assumir, a partir de novembro, a supervisão direta dos maiores bancos da zona euro, ao abrigo do Mecanismo de Supervisão Única.

A avaliação detetou falhas de capital de 25 mil milhões de euros em 25 dos 130 bancos da zona euro, cujos balanços foram avaliados à data de 31 de dezembro de 2013. No entanto, segundo disse o BCE, 12 desses bancos já cobriram as suas necessidades, depois de terem aumentado o capital em 15 mil milhões de euros ao longo deste ano.

Os outros 13 bancos têm agora de preparar planos de reforço de capital a serem apresentados no prazo de duas semanas e terão nove meses para colmataram as falhas detetadas.

OJE/Lusa

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