Sectores do têxtil e do vinho interessados em sistema de localização de veículos da Siemens usado na Autoeuropa

Tecnologia usada na fábrica portuguesa da Volkswagen permite ganhos de eficiência através da gestão da localização dos veículos autónomos. Há manifestações de interesse no sistema por parte de empresas dos sectores do vinho e do têxtil, diz diretor da Siemens.

Siemens

Grandes empresas portuguesas dos sectores do vinho e do têxtil manifestaram interesse junto da Siemens para poder adquirir e utilizar uma tecnologia inovadora de localização de veículos autónomos que já está em uso na Autoeuropa.

A revelação foi feita esta terça-feira em Hannover pelo diretor da área de Digital Industries da Siemens, Luís Bastos, no decorrer de um encontro com jornalistas portugueses.

A tecnologia em causa permite aos gestores da fábrica da Autoeuropa determinar, em tempo real, a posição exata dos AGV (Veículos Guiados Automáticos) que se deslocam dentro de um edifício fechado.

O projeto foi pioneiro dentro do grupo Volkswagen. A Autoeuropa, em Palmela, foi a primeira fábrica em que foi testado – usando tecnologia da Siemens, em parceria com a Introsys – e a fabricante automóvel alemã já manifestou interesse em replicar noutras localizações fora do país.

Não foram os únicos. Segundo Luís Bastos, algumas grandes empresas portuguesas – que se escusou a revelar, por estarem em conversações neste momento – “dos sectores do têxtil e do vinho”, onde também existem grandes possibilidades de ganhos de eficiência no processo produtivo, também já iniciaram contactos para poder contar com o sistema. Por exemplo, na Autoeuropa o sistema de localização dos veículos autónomos “permite reduzir o estrangulamento de várias rotas” dentro da fábrica.

Este tipo de tecnologia também permite às empresas, tal como acontece atualmente com a Autoeuropa, equipar “o modelo digital da fábrica com dados que não tinham até agora”.

Numa perspetiva mais global da empresa, o CEO da Siemens Portugal, Pedro Pires de Miranda, recordou um dos objetivos de contratação de novos trabalhadores que tinha traçado em entrevista ao Jornal Económico, no final do ano passado.

Nessa entrevista, Pires de Miranda disse que a Siemens Portugal iria chegar aos 3.500 funcionários até 2025. Esta terça-feira, em Hannover, o responsável disse que a empresa já chegou aos 3.150 e que a expectativa é a de “não só atingir este número, como antecipar isso”. “Está no nosso horizonte chegar lá antes disso”, disse Pedro Pires de Miranda.

A Siemens é o terceiro maior empregador alemão em Portugal, depois da Autoeuropa e da Bosch. E é a décima maior empresa alemã em termos de vendas.

Os números mais recentes da empresa indicam que a Siemens Portugal faz 158,8 milhões de euros em exportações de um total de 260 milhões de euros em vendas. Trata-se de números relativos ao ano fiscal de 2021, que termina no final de setembro.

Sobre a atual situação de guerra na Europa, após a invasão russa da Ucrânia, o CEO da Siemens disse que o conflito “veio criar-nos um problema adicional não esperado”, com a empresa a ser já afetada pela crise da cadeia logística, especialmente a falta de semi-condutores.

“Para mim, o calcanhar de Aquiles da Europa é não ter uma supply chain consolidada dentro da Europa. E isto pode ser uma oportunidade muito importante para Portugal”, salientou.

Quanto à Siemens está a cumprir todas as sanções impostas à Rússia pela União Europeia, tendo suspendido qualquer tipo de atividade naquele país. A Siemens portuguesa prestava à Rússia serviços como o “suporte de IT” e de “sistemas de gestão de workflow”, bem como algumas entregas de equipamentos.

“Foi tudo cortado. E identificamos todo o percurso das nossos equipamentos e serviços. Sabemos a quem estamos a fornecer e temos um claro controlo desse fluxo, sobre não só o que vai diretamente para a Rússia, mas também o que vai para outros países e depois para lá”, concluiu.

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