Theresa May: “Uma mudança de liderança não seria do interesse do Reino Unido”

A líder do Partido Conservador considera que um novo líder iria atrasar as negociações do Brexit e comprometer todo o processo. Theresa May enfrenta uma moção de censura interna do partido à sua liderança do processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou esta quarta-feira que não se vai demitir, defendendo que uma mudança na liderança iria comprometer o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE). O anúncio da líder do Partido Conservador acontece numa altura em que enfrenta uma moção de censura interna do partido à sua liderança.

“Uma mudança na liderança do Partido Conservador iria pôr em causa o futuro do nosso país e criar incerteza quando menos precisamos”, afirmou Theresa May, em conferência de imprensa. O novo líder não teria tempo de concluir as negociações do Brexit e aprovar o acordo pelo Parlamento até 29 de março. Então, seria obrigado a atrasar ou revogar o Brexit, quando o povo quer que sigamos em frente”.

Theresa May disse ainda que uma mudança na liderança do Partido Conservador não mudaria os fundamentos do acordo do Brexit ou a aritmética no parlamento. “O novo líder apenas tomaria posse a 21 de janeiro, a data legal para o efeito, e, por isso, com essa mudança arriscamos perder o controlo do Brexit para a oposição no Parlamento”, afirmou. “Uma mudança na liderança apenas nos dividiria mais, quando precisamos manter-nos juntos. Nada disso seria do interesse nacional”.

“Vou contestar essa moção de censura com tudo o que tenho. Eu aceitei ser líder porque acredito numa visão conservadora para um futuro melhor, uma economia mais forte, onde ninguém fica para trás, uma sociedade mais forte, onde todos conseguem mostrar o seu talento”, sublinhou a primeira-ministra britânica. “Temos de continuar com o acordo e ver as oportunidades que virão, mas este não deve ser um problema apenas do partido. Somos um partido de toda a nação”.

A primeira-ministra do Reino Unido fez ainda saber que vai continuar as negociações do Brexit: “A agenda com que me comprometi no meu primeiro discurso enquanto primeira-ministra, em entregar o Brexit pelo qual as pessoas votaram e construir um país que sirva para todos – dediquei-me a estas tarefas desde que tomei posse e continuo preparada para terminar o trabalho”.

A votação da moção de censura está prevista para esta quarta-feira, entre as 18h00 e as 20h00. O presidente do grupo parlamentar do partido na Câmara dos Comuns (comité 1922), Graham Brady, confirma que mais de 48 deputados do partido terão enviado cartas ao comité, expondo a sua contestação face à forma como a primeira-ministra britânica tem liderado as negociações do Brexit.

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