Theresa May promete mais poder para o Parlamento

Acusada de pouca transparência para com o Parlamento e os britânicos, Theresa May teve mesmo que entregar os documentos sobre as negociações com Bruxelas.

No primeiro dia do debate sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, a primeira-ministra Theresa May foi repetidamente acusada de não mostrar ao Parlamento e aos britânicos toda a verdade sobre o processo que culminará na próxima quarta-feira, quando a Câmara dos Comuns votar o documento.

O dia foi de plena discussão e começou com os parlamentares a obrigarem o governo a entregar os documentos que resultaram da discussão entre Londres e Bruxelas com vista ao acordo. Relutante, May acabou por concordar para evitar a possível suspensão ou expulsão dos seus ministros dos lugares que ocupam no Parlamento – algo que os jornais britânicos afirmam nunca se ter visto.

O líder conservador dos Comuns, Andrea Leadsom, não gostou do que viu e acompanhou as críticas que vieram de todas as bancadas. Para emendar a mão, Theresa May disse há instantes no Parlamento que concorda em que os Comuns tenham um papel mais ativo nas negociações que ainda se seguirão com a União Europeia. “Haverá um papel maior e mais formal para o Parlamento”, disse, depois de ter sido duramente criticada pela falta de transparência para com o Parlamento.

Na segunda-feira, o procurador-geral, Geoffrey Cox defendeu o segredo que protege as informações confidenciais e insistiu na recusa em entregá-los ao Parlamento, com o argumento de que seria contraproducente para os interesses do país.

Numa última tentativa desesperada de evitar a claudicação e a posterior entrega dos documentos, o governo exigiu mais tempo, mas os deputados não lhe fizeram a vontade e uma maioria (311 contra 307) obrigou mesmo Theresa May a abrir mão da sua confidencialidade.

O debate, que continuará nos próximos dias, foi muito pesado para a primeira-ministra, dado que teve de enfrentar não só a oposição, como a não menos opositora fação conservadora que a quer colocar fora do governo. Os argumentos, de qualquer modo, não são novos: a oposição alega que o acordo é mau e a primeira-ministra contrapõe que é o melhor que se consegue arranjar.

Para os observadores, se o tom se mantiver durante toda a semana, o Parlamento está a desperdiçar um tempo imenso, dado que nenhum dos lados parece disposto a ceder em qualquer domínio.

Recomendadas

Primeira-ministra da Finlândia lamenta atrasos na ratificação da entrada do país e da Suécia na NATO

“O processo está a demorar mais do que gostaríamos. Já deveríamos ter sido aceites e o processo de ratificação deveria estar concluído”, disse Sanna Marin numa entrevista na rádio pública finlandesa, citada pela agência EFE.

Pelo menos 11 mortos em deslizamento de terras nos Camarões

De acordo com a agência France-Presse (AFP), ao início da noite, quatro corpos, cobertos por lençóis brancos, foram retirados pela polícia no bairro de Damas, na periferia de Iaundé. No local, relata um jornalista da AFP, estavam hoje à noite centenas de moradores em pânico, à procura de familiares e amigos, e equipas de resgate a tentar chegar ao local do acidente.

Cabo Verde quer reforçar combate à pobreza com aumento de 25% da taxa turística

Governo liderado por Ulisses Correia e Silva prevê arrecadar 8,6 milhões de euros com o aumento da taxa, que serão canalizados para o fundo de financiamento Programa Mais, Mobilização pela Aceleração da Inclusão Social, concebido para apoiar projetos de combate à pobreza extrema e exclusão social, segundo a Forbes África Lusófona.
Comentários