Timor GAP quer substituir petrolífera australiana como operadora do Greater Sunrise

Segundo fontes ligadas ao processo ouvidas pela Lusa, o assunto foi debatido numa reunião interna do consórcio na última semana, durante a qual a Timor GAP confirmou essa intenção à Woodside que, dias depois, anunciou uma mudança de posição sobre o desenvolvimento do projeto, admitindo a possibilidade de construção de um gasoduto com ligação a Timor-Leste.

A petrolífera estatal timorense Timor GAP, sócio maioritário do consórcio do Greater Sunrise no Mar de Timor, comunicou à australiana Woodside a sua intenção de a substituir como operadora do projeto.

Segundo fontes ligadas ao processo ouvidas pela Lusa, o assunto foi debatido numa reunião interna do consórcio na última semana, durante a qual a Timor GAP confirmou essa intenção à Woodside que, dias depois, anunciou uma mudança de posição sobre o desenvolvimento do projeto, admitindo a possibilidade de construção de um gasoduto com ligação a Timor-Leste.

Victor Soares, ministro do Petróleo e Recursos Minerais, confirmou à Lusa que o assunto “está em cima da mesa” e que foi discutido na última reunião, afirmando, porém, que a decisão cabe exclusivamente aos parceiros do consórcio.

“Está na mesa de discussão, mas vamos procurar ultrapassar essa situação. Os dois Governos, da Austrália e de Timor-Leste, só terão uma reunião tripartida com apenas um operador”, explicou.

“Esta é uma questão interna do consórcio e que deve ser concluída entre eles. Os Governos da Austrália e de Timor-Leste vão facilitar apenas para que consigam ter um consenso”, explicou.

Instado hoje pela Lusa a comentar o caso, o presidente da Timor GAP, Antonio Loyola de Sousa, recusou dar quaisquer detalhes, remetendo declarações para mais tarde.

Não foi também possível à Lusa obter um comentário da Woodside.

Recorde-se que a petrolífera timorense Timor GAP detém 56,56% do capital do consórcio do Greater Sunrise, na qual participam ainda a Woodside (que é formalmente a operadora) com 33,44% e a Osaka Gás com 10%.

O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, localizado a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, terá que ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin.

Na quinta-feira, a responsável da Woodside admitiu, numa conversa com investidores, que está a reconsiderar a possibilidade de um gasoduto dos campos do Greater Sunrise para a costa sul de Timor-Leste, no que representa uma viragem na posição da empresa, seguindo a posição do governo de Díli em toda este processo.

“Ao longo dos anos, olhámos de várias formas diferentes para o Greater Sunrise. Fizemos estudos técnicos para compreender a viabilidade de atravessar o fosso” no mar de Timor, disse a diretora-executiva da empresa, Meg O’Neill, num encontro com investidores, noticiou o portal Energy Voice.

“Esses estudos sempre indicaram que, com a vontade certa, a engenharia certa, o plano de execução certo, se poderia executar esse trabalho. O desafio eram as questões económicas”, afirmou.

Victor Soares disse que as declarações são “um bom sinal”, afirmando que espera avançar nas negociações na próxima semana quando se espera a visita de uma equipa da Woodside a Timor-Leste.

“A equipa da Woodside viajará para Timor-Leste na próxima semana. Vamos sentar-nos à mesa, com a Timor GAP e os seus pares”; afirmou.

“É a primeira vez que mostraram essa abertura, de sentar à mesa e discutir esta opção. É um bom sinal para o povo de Timor-Leste”, afirmou.

O’Neill disse aos investidores que as instalações modulares de processamento de GNL [Gás Natural Liquefeito] são agora mais baratas e mais rápidas de construir do que no passado, podendo ser usadas para o potencial desenvolvimento do projeto em Timor-Leste.

A responsável da empresa referiu que a Woodside voltou a colocar o desenvolvimento dos campos de Greater Sunrise e de Browse na agenda, citando a necessidade de fornecimento de gás natural a longo prazo, especialmente na Ásia.

Até aqui, a empresa tem insistido que o processamento do gás seja feito em Darwin recorrendo a um gasoduto que já existe no mar de Timor e que foi ‘alimentado’ pelo poço Bayu Undan, cuja produção está agora prestes a terminar.

A empresa, vincou O’Neill, “reconhece agora a importância de um desenvolvimento ‘onshore’ em Timor-Leste para o desenvolvimento do país”, pelo que a Woodside reabriu o diálogo sobre as potenciais opções de desenvolvimento do Greater Sunrise.

 

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