Timor-Leste. Presidente diz que país vai ter que “trabalhar duro” para formalizar adesão ASEAN

O Presidente da República timorense disse hoje que Timor-Leste vai ter que “trabalhar duro” para garantir que cumpre todas as lacunas que ainda subsistem antes da adesão formal, previsivelmente em 2023, à ASEAN.

“É simbólico que a nossa adesão formal e plena venha a acontecer durante a presidência indonésia da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em 2023”, disse José Ramos-Horta em declarações à Lusa.

“Mas como ainda há alguns passos a dar, como se prevê na declaração de hoje, vamos ter que trabalhar duro, para que o tal relatório que vai ter que ser apresentado na 42.ª cimeira da ASEAN satisfaça e preencha as lacunas na área económica”, sublinhou.

Ramos-Horta reagia à declaração de hoje da 41ª cimeira da ASEAN, em Phnom Penh em que os Estados membros chegaram a um acordo de princípio para integrar Timor-Leste na organização regional.

“Acordámos, em princípio, admitir Timor-Leste como o 11.º membro da ASEAN”, refere uma declaração da cimeira da ASEAN que decorre em Phnom Phen, explicando que os próximos passos serão “um roteiro com critérios objetivos até à participação plena”, que pode ocorrer na cimeira de 2023.

Até lá, Timor-Leste terá estatuto de observador, “podendo participar em todas as reuniões da ASEAN, incluindo as cimeiras plenárias”, refere o comunicado.

Ramos-Horta disse que a preocupação “predominante e genuína” de alguns países da ASEAN tem a ver com a necessidade de “assegurar a capacitação de Timor-Leste em termos de recursos humanos, de responder aos desafios da adesão”, bem como “da sua resiliência económica, num quadro regional e mundial complicado”.

“Na declaração os líderes da ASEAN fazem apelo a todos os Estados membros e aos parceiros da ASEAN para darem todo o apoio a Timor-Leste para o fortalecimento da sua economia e da preparação dos seus recursos humanos”, disse.

“Há um plano do Governo e orçamento alocado para recrutar, no mínimo, 500 pessoas, mas o numero vai até 2.000, qualificadas, com formação universitária de universidades acreditadas, com o domínio de línguas estrangeiras – o inglês que é língua oficial na ASEAN, mas outras -, para dar apoio aos vários setores e melhorar a prestação de serviços, transversalmente”, explicou.

Ramos-Horta ironizou e disse que com esse programa, e perante “tanta queixa de falta de emprego”, se vai conseguir empregar todos os timorenses com formação superior ainda desempregados.

“O maior desafio é um desafio político, para começar. Vamos ter ano de eleições, e espero que decorram em total normalidade, e que surja uma maioria credível que possa governar com muita inteligência e integridade. Que tenha consciência, o sentimento de missão de servir e não de ter pastas ministeriais só por orgulho, vaidade ou interesse pessoal”, afirmou.

O chefe de Estado disse que mesmo antes da adesão já se estão a abrir várias oportunidades, explicando  haver um grande interesse de investidores, especialmente da região da Ásia.

“Estou constantemente a ser contactado, estou a receber muitos investidores, alguns estão a chegar estes dias, especialmente da Ásia, com projetos em todos os domínios”, explicou.

Paralelamente, disse, o corpo diplomático acreditado em Díli vai crescer, com a previsão da abertura de embaixadas de todos os Estados membros da ASEAN bem como dos parceiros de diálogo da organização regional.

A declaração de hoje refere que os Estados membros da ASEAN acordaram “formalizar o roteiro com critérios objetivos para a adesão completa de Timor-Leste, incluindo com base nos marcos identificados nos relatórios das missões de avaliação levadas a cabo pelos três pilares da Comunidade da ASEAN”.

Acordaram ainda instruir o Conselho Coordenador da ASEAN (ACC, na sua sigla em inglês), para “formular o roteiro e para apresentar o seu relatório à 42ª Cimeira da ASEAN para adoção”.

A cimeira do próximo ano deverá decorrer na Indonésia, que assume agora a presidência rotativa da organização.

A declaração relativamente a Timor-Leste insta igualmente “todos os Estados-membros e parceiros externos a apoiar plenamente Timor-Leste para que alcance os marcos definidos, incluindo com assistência para reforço de capacidades e qualquer apoio adicional relevante para a adesão plena à ASEAN”.

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