Tinha a fábrica, agora imprimo 3D

A 4ª revolução industrial ainda não terminou e já estamos a entrar na 5ª, na qual passaremos pela incorporação e personalização direta de produtos ou componentes de valor acrescentado por download.

Imagine o que seria imprimir a cadeira da sua sala, ou a cama do seu quarto, ou mesmo os copos da sua cozinha… Parece uma loucura, mas é já uma realidade! Hoje é natural imprimirmos em casa umas letras e uns desenhos numas folhas em papel A4, mas também já podemos imprimir objetos lá para casa.

Uma das tecnologias que está ainda na sua fase de introdução de mercado, mas que certamente vai ter um impacto radical em muitas cadeias de logística, é a impressão 3D. Analise brevemente comigo o impacto que esta terá em muitas indústrias de transformação, em particular se pensarmos que os clientes passam, muito simplesmente, a poder fazer download de um ficheiro no seu computador e a imprimir o objeto pretendido!

As fábricas transformam-se obrigatoriamente por não necessitarem mais de máquinas para fazer os seus produtos, nem de matéria-prima, e muito menos de operadores das máquinas. Passam a integrar projetistas e engenheiros para a criação virtual dos objetos. O modelo de negócio das fábricas transforma-se, e da produção de bens passam a claros prestadores de serviço digital.

Quantas empresas do setor secundário estarão a preparar esta transformação digital radical do seu modelo de negócio? Quantas já começaram a testar a impressão 3D no seu desenvolvimento e integração de produtos, e que estejam aptos a serem descarregados pelos clientes finais numa loja online? Que análises já foram realizadas para adaptar os seus modelos de negócio ao serviço digital e não ao produto físico?

E qual será o papel das atuais empresas logísticas de transporte dos produtos, como a FedEx, UPS ou Luis Simões, que dispõem de frotas rodoviárias, aéreas, ferroviárias e marítimas? Será uma incógnita. Com base no seu atual modelo, têm a clara ameaça de não trazer qualquer valor acrescentado ao processo digital, isto é, tenderão a desaparecer se não encontrarem o seu papel nesta nova cadeia de abastecimento.

E os canais de parceiros de venda dos produtos? Qual será o papel das “Fnacs ou Worten”, dos “AKI ou Leroy Merlin”? Que papel irão desempenhar num modelo onde a relação produtor e consumidor será direta e sem necessidade de intermediários (P2P)? Será que vamos às lojas do IKEA ver os móveis e, em vez de levar as caixas, levamos uma senha para download de um ficheiro e imprimimos em casa?

Estes pequenos exemplos dão certamente para entender o impacto que a tecnologia de impressão 3D terá no médio prazo no quadro económico mundial e, provavelmente, em menos de uma década. Mas, se pensarmos que já se fazem casas com impressoras 3D em cerca de um dia ou barcos de patrulha de costa com 8 metros de comprimento em 72 horas em vez de semanas ou meses, percebe-se que a 4ª revolução industrial ainda não terminou e já estamos a entrar na 5ª.

O crescimento da impressão 3D será uma das componentes da 5ª revolução industrial, na qual passaremos pela incorporação e personalização direta de produtos ou componentes de valor acrescentado por download. As empresas irão assim alcançar um nível de eficiência evidente, mas a sua transformação interna e cultural terá de ser extraordinária, na medida em que terão de reestruturar por completo a sua força de trabalho, a sua comunicação e marketing e até as suas operações core.

Este é o princípio de uma transformação digital das fábricas de produtos de consumo, para poderem passar a produzir ficheiros de materiais digitais, que serão personalizados à imagem de cada cliente! Não estamos muito longe, por isso deve começar já a estudar estrategicamente a sua empresa e implementar em breve a mudança, caso contrário outros irão fazê-lo por si.

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