Tomás Correia defendeu um Montepio “sem necessidade de ajuda pública e sem alienar capital a privados ou estrangeiros”

Na Assembleia que aprovou o programa de ação e orçamento para 2018, o Presidente da Associação Mutualista lançou farpas aos críticos da entrada da Santa Casa no capital do Montepio e concluiu dizendo “estamos fortemente mobilizados para contribuir, em 2018, para o desenvolvimento económico e social do país através do relacionamento com as instituições do terceiro setor”.

Cristina Bernardo

A Assembleia Geral ordinária da Associação Mutualista Montepio reuniu para aprovação do programa de ação e orçamento para 2018. A reunião acaba de aprovar, por uma larga maioria de 96,4 % o programa de ação e orçamento para 2018, o único ponto que constava da agenda de trabalho. 

A reunião magna decorreu nesta quarta-feira, diz 27, às 20h, no Edifício Sede da Associação Mutualista Montepio, em Lisboa. Para António Tomás Correia, Presidente da Associação Mutualista e do Grupo Montepioa votação expressiva dos associados neste assembleia-geral “demonstra, mais uma vez, o grau de envolvimento e a motivação dos nossos associados com esta instituição de referência na sociedade portuguesa. Estamos fortemente mobilizados para contribuir, em 2018, para o desenvolvimento económico e social do país através do relacionamento com as instituições do terceiro setor”

Mas na mensagem inicial aos associados, António Tomás Correia mandou recados aos críticos da entrada da Santa Casa da Misericórdia no capital da Caixa Económica Montepio Geral, e da criação do chamado “banco da economia social”.

“Ter, no Grupo Montepio em particular, e na sociedade portuguesa em geral, uma Instituição Financeira da Economia Social robusta, sólida, portuguesa, resiliente a crises como a que recentemente atravessámos, sem qualquer necessidade de ajuda financeira pública e sem alienar capital a grupos privados ou estrangeiros, possibilitará no curto prazo uma progressiva otimização e geração de valor, parte integrante do pilar estratégico de fortalecimento do Setor Social, característico de países e sociedades desenvolvidas, e possível com a conjugação de esforços com outras Instituições da mesma natureza que, voluntariamente, estejam motivadas para participar”.

Referiu ainda que “se impõe continuar o trabalho de afirmação do papel da Associação, nas diversas vertentes da sua missão mutualista, como a maior entidade do seu género em Portugal e das maiores da Europa, assim como, reforçar o papel nuclear e motor dinamizador do Grupo Montepio, que contribua para potenciar o Setor Mutualista e a Economia Social”.

Acrescentando que o Montepio é a mais representativa Instituição da Economia Social, composto por mais de 620 mil portugueses, “sendo o maior exemplo da capacidade associativa da nossa sociedade civil”,  lembrou que “essa característica é tantas vezes esquecida por muitos que falam e escrevem, sem procurar esclarecimento”. O que, diz, “só nos responsabiliza, mas também nos estimula, para dar continuidade a este projeto, e fortalecê-lo como pilar do desenvolvimento da Economia Social e Cooperativa, previstos no quadro da Lei Fundamental da República Portuguesa”.

Para o presidente da Associação Mutualista, “pretende-se no futuro reforçar o aproveitamento do potencial existente, em conjugação com a perspetiva de continuação da melhoria das condições envolventes, tanto a nível de mercado, como em termos da exploração da principal entidade do grupo”.

Tomás Correia não hesitou em chamar à Associação que preside os louros da estabilização financeira do banco liderado por José Félix Morgado. “A Caixa Económica Montepio Geral que, competentemente, a nossa Associação Mutualista estabilizou, através do robustecimento da sua base de capital, para níveis que a tornaram numa das mais sólidas Instituições Financeiras do nosso mercado”, afirmou o presidente da Associação Mutualista.

 

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