Torneio de inovação social do BEI veio a Lisboa. “Faltam business angels na área do impacto”, diz mentora das startups

Os portugueses da The Newsroom eram finalistas mas acabaram a 10ª edição deste programa sem prémio. Ao JE, Luísa Ferreira, conselheira económica e chefe do Programa Social do Instituto do Banco Europeu de Investimento, alerta para a importância das sinergias neste sector.

O Torneio de Inovação Social do Banco Europeu de Investimento (BE) esteve em Lisboa para premiar os empreendedores que querem criar impacto na vida das pessoas, no ambiente e na sociedade civil. Os portugueses que foram escolhidos entre 280 candidaturas de startups europeias acabaram por não ficar entre as três favoritas do júri, mas levam na bagagem um intenso programa de mentoria, com sessões online e um bootcamp em Áustria.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE) a partir da Fundação Champalimaud, onde se realizou a final, Luísa Ferreira, conselheira económica e chefe do Programa Social do Instituto do BEI, fez um balanço positivo da iniciativa e da evolução do sector na última década.

“Na Europa, desde que começámos com esta competição para escolher os melhores empreendedores sociais, têm-se visto imensas competições a serem organizadas ao nível dos países. Não digo que está na moda, mas há muito mais atenção a estas temáticas, nomeadamente aos problemas ambientais”, afirmou.

Segundo Luísa Ferreira, há dez anos, “quando se falava em social havia muito a ideia de que era a assistência social, o terceiro sector que não o empreendedorismo”, porém, hoje em dia, já se perpetuou a ideia e a crença de que “os projetos têm de ser autossustentáveis, ter receitas financeiras, que podem crescer”. “Há uma profissionalização do sector e consciência de que os empreendedores têm soluções”, defende.

O BEI trabalha com Portugal desde 1976 e nesses mais de 40 anos investiu mais de 52 mil milhões de euros em Portugal, auxiliando cerca de 460 projetos. No ano passado, o grupo que agrega BEI e FEI assinou 27 operações no país num volume total de financiamento de 2,3 mil milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 44% em relação a 2019. Logo, Portugal foi, dos 27 Estados-membros da União Europeia, o quatro maior beneficiário do apoio do grupo BEI em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Na opinião da responsável pelo torneio, “há uma mudança de paradigma por parte dos investidores de que o empreendedorismo social tem pernas para andar”, mas é necessário mais investimento nas empresas recém-criadas. “Muitas vezes os projetos começam de um sonho ou de um problema pessoal que os empreendedores têm e os primeiros anos são difíceis porque são uma ou duas pessoas a fazer tudo. Faltam mais business angels na área do impacto”, adverte.

“Os empreendedores sociais, como os da Teach For Portugal ou da Speak, querem mudar o mundo não só em Portugal ou em França, mas em todo o lado sem fronteiras. É por isso que estamos a tentar construir um ecossistema europeu de inovação social. Não é Portugal não é Espanha. É um ecossistema sem países e sem sectores. É importante criar sinergias”, assegura ao JE.

Na rede do instituto do BEI, ainda que sem distinções, ficou a startup The Newsroom, fundada por Pedro Pamplona Henriques. Com sede em Lisboa, a sua principal missão é combater a disseminação de desinformação e de discursos de ódio na Internet. Logo, desenvolveu uma tecnologia com base em inteligência artificial que lhe permite avaliar de forma mais transparente a fiabilidade de notícias e declarações publicadas online.

Quem foram os vencedores do Social Innovation Tournament’s (SIT) 2021?

Cellugy/Eco Flexy (Dinamarca) – Fundada em 2018 e com sede em Aarhus, é uma startup da área da biotecnologia empenhada no combate à poluição causada pelo plástico mediante a substituição dos plásticos descartáveis por biocelulose 100 % natural. Através da bioconversão de açúcar excedentário, a empresa desenvolveu um material próprio que cumpre os requisitos de desempenho da indústria de embalagens, sendo 100% reciclável e biodegradável.

Institute for Inclusive Education (Alemanha) – Desenvolve ofertas educativas ministradas por pessoas com deficiência. Enquanto especialistas qualificados no domínio da educação, falam sobre as vidas, as necessidades e as perspetivas específicas das pessoas com deficiência. O instituto qualifica pessoas portadoras de deficiência para o trabalho na área da educação, contribuindo assim para a criação de novos postos de trabalho.

Magrid (Luxemburgo) – Lançado na Incubadora da Universidade do Luxemburgo, é um programa para ajudar professores e alunos a ensinar e a aprender matemática. Elimina a barreira linguística da aprendizagem da matemática e proporciona igualdade de oportunidades de educação a todos os alunos, ajudando a colmatar as diferenças de desempenho entre falantes nativos e não nativos.

Orange Fiber (Itália) – Fundada na Catânia em 2014, produz tecidos sustentáveis patenteados a partir de subprodutos de citrinos para desenvolver tecidos para alta-costura. O ponto de partida são os subprodutos da indústria de transformação de citrinos, cuja eliminação envolve custos elevados, tanto para a indústria dos sumos de citrinos como para o ambiente.

A par com a Orange Fiber, a espanhola Vortex Bladeless, fundada em Madrid em 2015, foi escolhida para participar no programa de empreendedorismo social da escola internacional de negócios INSEAD. A startup de tecnologia limpa está a desenvolver um aerogerador ecológico sem hélices, um gerador elétrico movido a vento concebido para utilizar a energia eólica à escala comercial.

Acho que este foi um ano especial por ser a 10ª edição, em Lisboa (Portugal), que tem um ecossistema de inovação social muito vibrante, e depois de uma edição online por causa da pandemia – Luísa Ferreira

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