Touros terminam a década na melhor forma de sempre?

O cenário é tão positivo e tão transversal que já se fala no melhor ano de sempre dos mercados financeiros.

Kai Pfaffenbach / Reuters

Tal como referi na passada sexta-feira, os índices norte-americanos estão imparáveis em 2019, com um crescimento que atinge os 5 triliões de dólares de valor acrescentado através de subidas que só ficam aquém das registadas em 2013, após a crise financeira de 2007/8.

Na semana passada essa tendência ascendente manteve-se, com o S&P500 a ganhar cerca de 1,7% nos melhores cinco dias de negociação desde Setembro, muito por causa do bom desempenho dos sectores da tecnologia e da saúde, com o primeiro a ser o principal catalisador do bull market que dura desde 2009, enquanto que o segundo “acordou” nos primeiros dias de Outubro, atingindo desde então um ganho de 15%, claramente mais forte após ter estagnado durante os nove meses anteriores, devido aos receios que os investidores tinham sobre as propostas que a candidata Democrata às eleições de 2020, Elizabeth Warren, tinha para o sector, contudo a baixa probabilidade que Warren tem em ser eleita aliviou essa incerteza.

Mas se os Touros de Wall Street estão a ter um ano de sonho, as restantes praças internacionais não lhes ficam atrás, aliás o cenário é tão positivo e tão transversal que já se fala no melhor ano de sempre dos mercados financeiros. Não apenas porque o principal índice europeu, o Stoxx600 está em máximos históricos, ou porque o cabaz das principais praças mundiais, o MSCI world index, também está em território nunca antes alcançado com um pulo de aproximadamente 20%, mas porque quase todas as classes de activos têm registado valorizações muito acima da média.

Nas matérias-primas por exemplo, o petróleo já ganhou cerca de 25% no WTI crude e o Ouro consegue o seu melhor ano desde 2010, com uma subida de 15%. Até as obrigações, que geralmente andam em contraciclo com o mercado accionista, têm beneficiado dos bons ventos emanados pelo desempenho económico dos EUA e pela mão de suporte “omnipresente” que é a política dos bancos centrais, onde impera a lei do dinheiro barato e fácil, ou seja juros muito baixos e balanços com uma forte preponderância de obrigações.

Com mais meia dúzia de sessões em 2019, o cenário no início de 2020 não deverá ser muito diferente do actual, ficando para os primeiros dias aferir se o optimismo irá continuar a ser a nota dominante, visto que as duas semanas de um novo ano costumam ser um forte indício de como poderá correr os doze meses seguintes, pelo menos assim indica a estatística.

O gráfico de hoje é do USD/RUB, o time-frame é semanal

 

 

Depois de em 2014 a moeda russa ter perdido bastante valor face ao dólar norte-americano, os tempos agora são de recuperação para o Rublo, com mais um ano a valorizar, o que reforça ainda mais a proeza do índice de acções da praça russa, de ter até agora o melhor registo do ano a nível global.

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