Trabalhadores da CGD não excluem greve

Intensificar as formas de luta é a palavra de ordem dos sindicatos dos trabalhadores das empresas do grupo CGD. Em causa está a recusa da administração do banco no descongelamento salarial e na reposição das carreiras.

Rafael Marchante/Reuters

O presidente da direção do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC) não exclui nenhuma forma de luta face à recusa da administração do banco a negociar matérias como o descongelamento salarial e estar em causa a contagem de tempo de serviço para a progressão. João Lopes admite que os trabalhadores do banco público ”intensifiquem a luta” em 2018, caso estas questões não sejam ultrapassadas.

“Não afastamos nenhuma hipótese, incluindo a greve, mas ainda queremos acreditar que a administração venha a reflectir e conversar de outra maneira”, afirmou ao Jornal Económico João Lopes, presidente do STEC.

Este responsável  quer que em janeiro haja “alguma leitura” da concentração de 6 de dezembro, em Lisboa, dos trabalhadores e reformados do banco para exigir o descongelamento salarial. Explica aqui que os trabalhadores e reformados da Caixa encontram-se há quase oito anos sem actualização de salários e pensões de reforma, destacando que a administração do banco público beneficiou, por seu turno, de um aumento de 100% nas suas remunerações.

“O Orçamento de Estado de 2017 determina o fim do congelamento dos salários e pensões e também a reposição das carreiras incluindo o tempo de serviço prestado de 2013 a 2016. Mas a administração do banco tem uma interpretação diferente deste artigo e considera que o descongelamento é só para a frente e que janeiro de 2017 é uma espécie de ano zero”, acrescenta João Lopes.

Segundo este sindicalçista, os trabalhadores “não querem retroactivos de dinheiro, mas de tempo”, tendo, diz, a administração argumentado que  o plano de recapitalização do banco impede aumentos da massa salarial superiores a 1%. “Não está nada nesse plano que diga isto, a não ser que exista um plano público que seja um documento reservado”, frisa.

No final da semana o STEC lembrou aos trabalhadores que quando, em janeiro de 2017, o ano se iniciou, tudo parecia ir correr bem para os trabalhadores e aposentados da CGD – o OE determinava o fim do congelamento dos salários e pensões e também a reposição das carreiras incluindo o tempo de serviço prestado de 2013 a 2016.

“De facto no início assim foi, com os órgãos da administração a darem o exemplo, aumentando de forma generosa as suas remunerações”, sublinhou o sindicato em comunicado, dando conta que “o pior veio depois, quando em fevereiro o STEC apresentou uma proposta de aumento salarial que punha fim ao jejum forçado em que os trabalhadores da CGD se encontravam desde há 7 anos”.

Segundo o STEC,  logo a seguir, quando o solicitou a regularização das carreiras e a contagem dos quatro anos em que os trabalhadores da CGD desempenharam “um bom e efetivo serviço”, foi quando “de repente a administração começou a falar das dificuldades da CGD e da existência do plano de recapitalização assinado com Bruxelas… que não comportava estas despesas”.

“Ficámos então a saber que as regras da concorrência são válidas quando se trata de definir as remunerações da administração, mas já não têm qualquer valor quanto às remunerações dos restantes trabalhadores!”, frisa o comunicado do STEC, explicando, em jeito de balanço, que “por tudo isto o STEC decidiu levar até à rua o protesto” dos trabalhadores e “assumir em público” o seu descontentamento.

O STEC admite agora que outras formas de luta poderão ser desencadeadas no próximo ano “se a administração resistir” em discutir estas questões.

Recomendadas

Novas tabelas do IRS de julho mostram taxa efetiva de imposto

As tabelas com o novo modelo de retenção na fonte do IRS que chegam em 1 de julho têm uma coluna com a taxa efetiva da retenção mensal contemplando uma parcela a abater de valor fixo por dependente.

IRS. Novas tabelas isentam de imposto salários e pensões até 762 euros (com áudio)

O valor a partir do qual os salários e pensões fazem retenção de IRS aumenta em janeiro para 762 euros, segundo as novas tabelas que serão hoje publicadas para vigorar até à entrada do novo modelo de retenção, em julho.

Topo da Agenda: o que não pode perder nos mercados e na economia esta semana

A semana arranca com o embargo ao petróleo russo e com dados sectoriais vindos dos Estados Unidos, mas pelo meio há decisões importantes a ser tomadas na Austrália. Já na Zona Euro, saberemos como está o emprego e o PIB a evoluir no terceiro trimestre.
Comentários