Trabalhadores da Efacec apreensivos com o futuro da empresa escrevem a António Costa

As Comissões de Trabalhadores pedem ao Governo que crie condições “que permitam a rápida retoma e normalização da atividade, assegurando não só os compromissos imediatos com os parceiros clientes e fornecedores, mas também incutir-lhes novamente confiança e fidelização, assegurando a estabilidade da empresa (…) e a manutenção dos postos de trabalho”.

As comissões de trabalhadores da Efacec, enviaram uma carta aberta, esta quarta-feira, ao primeiro-pinistro António Costa, demonstrando preocupação com o futuro da empresa que opera nos sectores da Energia, Engenharia e Mobilidade.

“O desconhecimento e as incertezas após a falha do negócio de reprivatização leva a que os trabalhadores se sintam apreensivos quanto à sustentabilidade e rumo do futuro da empresa e, consequentemente, à garantia da manutenção dos seus postos de trabalho”, lê-se na carta enviada às redações.

“A falta de informação por parte das entidades responsáveis neste processo acentua a desconfiança dos trabalhadores em relação aos objetivos traçados para o futuro da Efacec”, salienta a Comissão de Trabalhadores da Efacec Energia – Máquinas e Equipamentos Elétricos; a Comissão de Trabalhadores da Efacec Engenharia e Sistemas e a Comissão de Trabalhadores da Efacec Electric Mobility.

Assim, os trabalhadores apelam a Costa e ao “Governo da República Portuguesa para que possam dar expressão com a máxima urgência aos procedimentos necessários para terminar com esta situação de impasse, criando urgentemente condições que permitam a rápida retoma e normalização da atividade, assegurando não só os compromissos imediatos com os parceiros clientes e fornecedores, mas também incutir-lhes novamente confiança e fidelização, assegurando a estabilidade da empresa, assim como, garantir a manutenção dos postos de trabalho”.

É de salientar que o Governo já publicou o caderno de encargos que vai reger um novo processo de privatização da Efacec depois de a venda à DST ter falhado.

As Comissões de Trabalhadores lembram que já solicitaram um pedido de audiência ao gabinete do Ministério da Economia no passado dia 8 de novembro.

A carta faz ainda referência ao facto de a Efacec ser uma empresa portuguesa com um perfil maioritariamente virado para a exportação, onde é detentora de tecnologia própria e que atua nos sectores da Energia, Engenharia e Mobilidade, tendo um papel preponderante na economia portuguesa, sendo altamente reconhecida pela capacidade tecnológica e pelas suas competências técnicas que tem vindo a adquirir ao longo de mais de 70 anos.

“Em 2020, na sequência do caso Luanda Leaks, o Estado nacionalizou 71,73% da Efacec com o pretexto de ser uma empresa estratégica para o país, servindo assim, para uma estabilidade financeira/comercial da empresa e consequentemente poder viabilizar o processo de reprivatização”, refere a missiva.

A comissão dos trabalhadores da Efacec lembra que “desde o início deste processo, foram injetados vários milhões de euros na empresa e, apesar disso, a situação tem vindo a degradar-se à medida que se arrasta o processo de venda”.

“No entanto, continuam a ser registados elevadíssimos prejuízos, onde a dívida tem vindo a aumentar acentuadamente, criando obstáculos à obtenção de financiamento, garantias e ajudas estatais, que são fundamentais para a sua operacionalidade”, refere a carta.

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Para não acontecer como no anterior processo que demorou muito tempo, o Governo encurtou as fases do caderno de encargos. “A reprivatização é realizada na modalidade de venda direta” e esta “decorre em uma ou duas fases, nos termos fixados no presente caderno de encargos”. Mas é precedida de uma avaliação preliminar dos interessados.

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