Trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit Portugal perderam relação laboral

Depois de um longo processo de contestação ao despedimento coletivo, anunciado há cerca de quatro meses, a maioria dos funcionários terminou agora a sua relação com a empresa, sem ter conseguido evitar o encerramento.

Os trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit Portugal, em Santa Iria da Azóia, Loures, perderam esta segunda-feira o vinculo à empresa, passando, a partir desta terça-feira, a ser desempregados, na sequência do encerramento da fábrica de vidro para automóveis.

Depois de um longo processo de contestação ao despedimento coletivo, anunciado há cerca de quatro meses, a maioria dos funcionários terminou agora a sua relação com a empresa, sem ter conseguido evitar o encerramento.

“Infelizmente hoje confirmou-se o fim da Saint-Gobain e o despedimento de 124 trabalhadores altamente qualificados que cessaram o seu vinculo laboral e vão passar ao desemprego a partir de amanhã”, disse a coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM), Fátima Messias, à agência Lusa.

Apesar de a negociação dos termos do despedimento coletivo da Saint-Gobain de Santa Iria da Azoia ter terminado a 28 setembro, a maioria dos vínculos laborais cessou hoje porque a antiguidade dos trabalhadores ultrapassava os 20 anos, obrigando a um aviso-prévio de despedimento de 75 dias, lembrou Fátima Messias.

A sindicalista lamentou que o Governo não tivesse conseguido concretizar algumas ideias que foram discutidas e que tinham como objetivo aproveitar as instalações, equipamentos e conhecimentos dos trabalhadores para instalar na fábrica outro tipo de produções.

“É certo que o despedimento coletivo já se concretizou, mas não vamos deixar de pressionar o Ministério do Trabalho e o da Economia para que encontrem soluções para estes trabalhadores altamente qualificados e com grande experiência profissional”, afirmou.

A decisão de encerramento da atividade produtiva da empresa e o consequente despedimento coletivo dos 130 trabalhadores foi anunciada no dia 24 de agosto.

Ao longo de cerca de dois meses, os trabalhadores concretizaram várias formas de luta, nomeadamente plenários e concentrações junto à empresas e marchas nos arredores ou em Lisboa.

Concentrações junto aos ministérios da Economia e do Trabalho e da residência oficial do primeiro-ministro foram foram usadas como tentativas de pressão junto do Governo, para evitar o despedimento coletivo.

Os representantes dos trabalhadores reuniram-se várias vezes com representantes destes ministérios, a quem apresentaram ideias inovadoras para evitar o encerramento da fábrica, mas não tiveram êxito.

A negociação dos termos do despedimento coletivo da Saint-Gobain de Santa Iria da Azoia, Loures, terminou a 28 setembro sem acordo entre as partes e os trabalhadores, que, no entanto, viram a sua compensação majorada e alguns benefícios sociais prorrogados.

Dessa negociação resultou que a empresa duplicou o valor das indemnizações relativamente ao que é obrigatório por lei e mantém alguns benefícios ao longo do próximo ano, nomeadamente seguros de saúde e de vida.

Esta negociação permitiu que dos 130 trabalhadores da fábrica, seis fossem recolocados num armazém da Saint-Gobain em Palmela, saindo da lista de despedimento.

A empresa tinha contratado os serviços de uma consultora para ajudar a encontrar novos empregos para os trabalhadores a despedir e comprometeu-se a manter esse apoio até ao início do próximo ano.

Em Portugal, o Grupo Saint-Gobain emprega cerca de 800 trabalhadores distribuídos por 11 empresas e oito fábricas e totaliza um volume de faturação correspondente a 180 milhões de euros.

Recomendadas

Inflação pode retirar competitividade às empresas portuguesas

Responsável da Fundação AIP considera que os custos nos transportes, aliados ao atual quadro político poderá levar a que esta não seja a melhor altura para o sector empresarial se expandir para os mercados mais longínquos. Investir na vertente digital é outro dos desafios.

Bancos sujeitos a coimas até 1,5 milhões se não aplicarem diploma do Governo para crédito à habitação

Está já em vigor, a partir deste sábado, o diploma que estabelece medidas destinadas a mitigar os efeitos do incremento dos indexantes de referência de contratos de crédito para aquisição ou construção de habitação própria permanente. Bancos têm 45 dias a partir de hoje para aplicar as medidas.

Ministra da Justiça diz que é preciso melhorar condições dos processos de recuperação de empresas

“A melhoria das condições de processos de recuperação [de empresas], sobretudo em períodos de insolvência e de dúvida, como o que atravessamos, é um desafio, mas um desafio que temos de concretizar”, afirmou Catarina Sarmento e Castro.
Comentários