Trabalhadores “muito disponíveis” para investir na luta, diz Fesap

“Temos realizado imensas reuniões, plenários com os trabalhadores nos seus serviços e o desespero é de tal ordem que as pessoas hoje estão muito disponíveis para investir na luta, no protesto”, afirmou o dirigente sindical José Abraão.

O secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap), José Abraão, considerou hoje não ser aceitável um aumento salarial que não tenha em conta a inflação, sinalizando a forte disposição dos trabalhadores para irem para a luta.

“Temos realizado imensas reuniões, plenários com os trabalhadores nos seus serviços e o desespero é de tal ordem que as pessoas hoje estão muito disponíveis para investir na luta, no protesto”, afirmou o dirigente sindical.

O secretário-geral da Fesap falava numa conferência de imprensa em que sinalizou as medidas que defende que devem integrar o Orçamento do Estado para 2023 (OE2023) e o processo de negociação geral anual para a administração pública, e que estão elencadas numa carta que esta estrutura sindical enviou ao primeiro-ministro e hoje tornou pública.

Reagindo à notícia do Jornal de Negócios que avança, na sua edição de hoje, que, entre as medidas de apoio às famílias que o Governo vai anunciar na segunda-feira, está um bónus para os pensionistas ainda este ano, José Abraão sustentou que “o aumento do custo de vida atinge todos” e não apenas os pensionistas.

“Por isso, não podemos perceber como é que há uma grande preocupação, e muito bem, com o aumento das pensões e quando se fala de salários se foge como o diabo da cruz”, disse, sinalizando a base sobre a qual devem assentar as negociações.

“O mínimo para nós é que não é razoável, não é aceitável, que se apresentam propostas [de aumento salarial] que possamos sequer trabalhar com base em valores que não tenham em consideração a inflação de 30 de novembro e também a inflação anual que se vier a verificar em 2023”, precisou José Abraão.

Neste contexto “se a inflação for 6%, é esse o nosso mínimo, se for 7%, será esse, se for 8% será esse o mínimo”, precisou o dirigente sindical, ressalvando que face à forte incerteza sobre a evolução dos preços espera que o Governo inicie o processo de negociação com uma proposta que evite a degradação dos salários e a perda do poder de compra.

Na missiva a António Costa, a Fesap refere que os “baixos salários que auferem” são uma das principais queixas dos funcionários públicos, o que leva a estabelecer como metas de negociação prioritárias a atualização anual os salários e das pensões “em valores acima da inflação tendo em consideração os números relativos à produtividade e ao crescimento económico”.

Sublinhando que “as pessoas estão a sofrer”, José Abraão deu o exemplo dos trabalhadores da administração pública que “ganham hoje 630 euros” [líquidos] para quem é preciso encontrar soluções, porque “por mais que se baixe dois ou três euros no gás”, tal não é suficiente para fazer face aos aumentos de “15, 17% ou 20% com a alimentação”.

Sem aumento dos salários reais, afirmou, estas questões não se resolvem e sem valorização das carreiras e das remunerações também não se consegue impedir que os jovens qualificados saiam do país ou da administração pública para o setor privado, lembrando, a propósito que não é com o aumento de 20 euros líquidos (que resultou do aumento de 52 euros na remuneração de ingresso na carreira de técnico superior) que se travam as saídas.

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