“Trabalhar para preparar os 10 milhões de portugueses que vão receber 30 milhões de turistas no próximo ano”, desafia secretária de Estado do Turismo

Rita Marques, a secretária de Estado do Turismo, assumiu, no 31.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, o compromisso de continuar a reforçar a capitalização das empresas, melhorando também o enquadramento fiscal.

Desafiando os hoteleiros a”trabalhar para preparar os 10 milhões de portugueses que vão receber os 30 milhões de turistas que esperamos receber para o próximo ano”, Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, encerrou o 31.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, promovido pela AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, que decorreu nos últimos três dias, em Viana do Castelo.

Corroborando um dos fios condutores dos diversos painéis ao longo do congresso, Rita Marques apontou o “estado maduro” que o setor do Turismo já atingiu e que não é sinónimo de estagnação mas sim de um crescimento moderado, longe dos aumentos de dois dígitos que caracterizaram os últimos anos da evolução do setor em Portugal.

De olhos postos no futuro, como propõe o mote do congresso, a secretária de Estado, aponta, de entre os principais  desafios, a melhoria das infraestruturas, nomeadamente, da ferrovia. “No plano do Governo está claríssimo que a ferrovia é, de facto, uma prioridade. É um assunto que envolve várias áreas do Governo, estamos a trabalhar para que possamos ter uma ferrovia que sirva os interesses dos cidadãos nacionais, mas também todos aqueles que nos visitam. É o que posso dizer, nesta altura, é um dossier complexo, difícil, mas estamos a trabalhar para que possamos ter num futuro próximo uma ferrovia 4.0. Neste momento ainda não temos. Servirá, naturalmente, também os interesses dos turistas, mas de todos os cidadãos nacionais, como é óbvio””, afirma Rita Marques.

Particularmente nesta área, afirmou que “esteve algo esquecida nos últimos anos, mas que o Governo está a trabalhar para encontrar soluções”. Contudo não revelou nenhum projeto específico. Nota ainda para o desejo de intensificar os trabalhos em prol de soluções que resolvam os estrangulamentos existentes, nomeadamente no caso do aeroporto.

Para Rita Marques, o futuro passa ainda por reforçar o trabalho em rede das variadas entidades públicas e privadas que constituem o universo do setor, visando uma oferta de qualidade e combinada de destinos; continuar a reforçar a capitalização das empresas, melhorando também o enquadramento fiscal, mas sobretudo, capacitando-as da robustez necessária para investir, reinvestir e apostar na internacionalização dos seus negócios.

Os recursos humanos, no que toca à quantidade e qualidade também mereceram especial atenção, na certeza de que os objetivos a atingir passam pela valorização das carreiras e da capacidade de reter talento, sobretudo junto dos mais jovens.

Rita Marques deu ainda destaque ao compromisso de repensar as matérias de governância: “a estratégia para o turismo 20-27  está a ser um sucesso, o que se explica com o facto de ter sido construída por todos, entre o público e o privado. Mas com o fim dom prazo a aproximar-se temos de refrescar o documento e rever as metas, sendo que algumas estão quase a ser atingidas”, salientou.

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