Trabalho híbrido é o novo normal e a saúde mental cada vez mais importante

No pós-pandemia, a saúde mental emerge como tópico de relevo nas organizações e as políticas de diversidade e de inclusão afirmam-se a cada dia. Em contrapartida, o escritório físico encolhe.

O bem-estar dos colaboradores e, sobretudo, a sua saúde mental, são fundamentais para o bom funcionamento das empresas e organizações e indispensáveis à sua competitividade. O problema não é novo, mas a Covid-19 trouxe-o para a ribalta e a pós-pandemia está a consolidá-lo como tópico de relevo no mundo do trabalho.

Como estão as organizações do sector de Serviços Partilhados a lidar com a questão?
Segundo o relatório “SSON’s State of the Shared Services & Outsourcing Industry”, da consultora de estudos de mercado SSON Analytics (antigo Dart Institute), consultado pelo Jornal Económico, mais de metade das organizações (51%) assume dar aos colaboradores mais controle sobre os horários e as horas de trabalho. Um quarto diz prestar serviços de apoio à saúde mental ou bem-estar. Os restantes 22% dividem-se numa tríade de soluções: adoção de políticas de folgas, por exemplo, para “regularizar” o horário de trabalho; introdução de períodos sem tecnologia — almoços sem e mails e sextas-feiras sem zoom— e compensação monetária para tratamentos de bem-estar.

Diversidade e inclusão ganham terreno nos Serviços Partilhados, com seis em cada dez dos profissionais de serviços partilhados (referenciados como SSO – Shared Services Organizations) a dizerem que norteiam a sua atividade com base numa estratégia.

Segundo o relatório, do ponto de vista empresarial, os benefícios das políticas de diversidade e inclusão traduzem-se predominantemente num maior empenho e colaboração das equipas, o que é factor de coesão para a cultura de qualquer empresa. Estas são, aliás, vertentes essenciais para reter talento, que no mundo global e digitalizado é cada vez mais crítico.

Recrutamento, escritório e competências
O mundo mudou de facto muito nos últimos dois anos. “O trabalho híbrido é o novo normal”, salienta o relatório. O virtual e o remoto tornaram-se efetivos, a flexibilidade ganhou asas, encurtou distâncias. Hoje é possível a qualquer empresa em qualquer lugar do mundo captar talento muito para lá das fronteiras físicas da sua localização, o que coloca desafios ao nível do recrutamento.

De acordo com o estudo, 53% das organizações mudou a estratégia de recrutamento em consequência da Covid-19. Mais de um terço está agora a ir buscar talento a nível regional ou mais além, no mundo global. Por outro lado, uns expressivos 18% optam por recorrer a empresas de recursos humanos, consultoras e à chamada “gig economy”, isto é, usar plataformas digitais que ligam freelancers e clientes.

Nos Serviços Partilhados, a mudança estende-se ao espaço de trabalho. A pandemia afetou a estratégia? Para 35% não, mas um número muito próximo (28%) diminuiu o tamanho do escritório. A redução do número de espaços e a mudança para melhor adequação às necessidades de quem trabalha remotamente são outras soluções. Somente 2% admite a expansão do espaço físico.

As competências mais procuradas pelas organizações é que se mantêm constantes. Automação, design de processos e gestão de dados continuam a encimar a lista das prioridades.

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