Tranquilidade com 8,71% do Banco CTT e acordo de venda dos seguros

O negócio avançado em primeira-mão pelo Jornal Económico em julho acaba de ser fechado e aguarda apenas a aprovação dos reguladores para se concretizar. A Tranquilidade chegou a acordo com os CTT para a distribuição exclusiva de seguros e entrada no Banco CTT, através de um aumento de capital de 25 milhões de euros, tornando-se um acionista com 8,71%.

É oficial. A Tranquilidade do Grupo Generali chegou a acordo com os CTT – Correios de Portugal para a distribuição de seguros de vida e de ramos reais através da rede do Grupo CTT e para a entrada no Banco CTT, através de um aumento de capital de 25 milhões  de euros, tornando-se um acionista da instituição, com uma posição de aproximadamente 8,71%.

O negócio avançado em primeira-mão pelo Jornal Económico em julho acaba de ser fechado e aguarda apenas a aprovação dos reguladores para se concretizar.

“Com este acordo, a Tranquilidade e o Grupo Generali assumem a ambição de consolidar a sua posição no mercado segurador português”, refere a companhia liderada por Pedro Carvalho.

Esta aliança pressupõe a distribuição de seguros de vida e de ramos reais da Tranquilidade/Grupo Generali pelos CTT e pelo Banco CTT, através de contratos de distribuição de longo prazo, com períodos de exclusividade renováveis de cinco anos.

O Banco CTT, que assenta a sua atividade na rede de balcões dos CTT em todo o país, tem atualmente mais de 600 mil clientes e “um serviço fortemente suportado por ferramentas digitais de última geração, combinando, assim, o digital com a presença física”.

O banco liderado por Luís Pereira Coutinho e que tem João Moreira Rato como chairman abriu ao público em março de 2016 e tem hoje depósitos de clientes no valor de mais de mil milhões de euros, bem como mais de mil milhões de de créditos concedidos.

“A parceria com o Grupo CTT é um passo importante para a Tranquilidade e para o crescimento do Grupo Generali em Portugal, “permitindo-lhe reforçar a sua dimensão no próximo triénio de forma significativa e alterar o atual paradigma do mercado segurador nacional, através da introdução de soluções seguradoras inovadoras e de última geração”, refere Pedro Carvalho, CEO da seguradora.

“Estamos muito satisfeitos por ter o Grupo CTT e o Banco CTT como parceiros de longo prazo e contribuir para a sua expansão, aproveitando as sinergias previstas no acordo e beneficiando da sua forte presença em todo o território nacional, através de uma rede de retalho física extensa e de uma plataforma digital de última geração”, acrescentou o CEO da Tranquilidade/Generali em comunicado.

Através deste acordo, a Tranquilidade diz que “pretende captar novos clientes, em particular no ramo vida e aumentar consideravelmente o seu volume de negócios”.

Desde a sua privatização em 2015, a Tranquilidade passou por um período de reorganização interna e reestruturação financeira, tendo depois crescido de uma forma orgânica e por aquisição de outras seguradoras que culminou com a aquisição e posterior integração no Grupo Generali.

A integração da seguradora que foi do Banco Espírito Santo na Generali ficou concluída em menos de dois anos e grande parte realizada durante o período pandémico. Com esta operação, a Tranquilidade enquanto parte do grupo Generali concretiza mais um passo rumo ao crescimento e, tal como revelou o CEO da companhia de seguros italiana, Philippe Donnet, em julho, durante uma cerimónia na Fundação Champalimaud, a Generali aposta no crescimento em Portugal.

O acordo de distribuição de longo prazo dos produtos da Tranquilidade pelas sucursais dos CTT e do Banco CTT visa o reforçar a posição no canal bancassurance colocando a seguradora portuguesa com uma posição mais comparável às suas concorrentes.

A companhia liderada por Pedro Carvalho pretende, no entanto, manter o foco quer no canal de agentes, quer na via digital que “tem tido um crescimento considerável recentemente”, segundo a companhia.

A Tranquilidade vangloria-se de ter sido das companhias que mais cresceu nos dois últimos anos, com especial enfoque em todos os seguros não obrigatórios – saúde, multirrisco e vida. No exercício de 2021, atingiu um volume de negócios de 1.140 milhões de euros, dos quais 1.060 milhões na atividade Não Vida e os restantes 80 milhões de euros na área Vida.

João Bento, CEO do Grupo CTT, afirmou na nota enviada às redações que “esta parceria vai permitir-nos oferecer aos nossos clientes uma gama mais ampla e inovadora de produtos de seguros, juntamente com uma das principais seguradoras europeias, acelerando assim o crescimento do nosso negócio de seguros. Estamos satisfeitos por ter a Generali Seguros como nosso parceiro e coaccionista de longo prazo no Banco CTT”.

Já Luís Pereira Coutinho, CEO do Banco CTT, refere que “esta transação representa um passo importante na execução do plano estratégico do Banco CTT, à medida que alargamos a proposta de valor para os nossos clientes com uma ampla oferta de produtos de seguros vida e não vida. Iremos aplicar o montante do aumento de capital em novas iniciativas de negócio, que irão acelerar a estratégia de crescimento sustentável do Banco CTT”.

A Tranquilidade e o Grupo Generali foram assessorados pela Arcano Partners, como assessora financeira exclusiva, e pela Morais Leitão, como assessora jurídica.

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