Digitalização vai criar oportunidades para surgimento de novas empresas de outsourcing

O Jornal Económico foi ouvir alguns ‘players’ do mercado sobre a forma como a transformação digital está a revolucionar o outsourcing. No que respeita a Portugal, a opinião é de que revela uma crescente atratividade enquanto plataforma tecnológica para o desenvolvimento de software e novas tecnologias, consultoria, investigação e conhecimento.

Quais são os principais desafios e quais os entraves que se colocam ao desenvolvimento do outsourcing num mundo em transformação digital?

  • Talento é chave do sucesso

A Adecco Outsourcing tem vindo a crescer em diversos setores de atividade, como a área logística, industrial, serviços, BPO, vendas, brand activation e service centers com necessidades muito distintas, mas existe algo em comum, a necessidade de atrair talento. Portugal tem-se revelado como um destino de eleição para startups, empresas tecnológicas e service centres, levando a que a procura por talento seja mais desafiante. Por esse motivo, temos o nosso plano de evolução tecnológica para estarmos na vanguarda do mercado, procurando ser a primeira opção de quem procura emprego e ter o melhor sistema de ajuste ao perfil que precisamos nas nossas operações. Este é o maior desafio num mundo digital em constante transformação, onde a utilização de plataformas em rede muda constantemente, novos portais de emprego surgem e onde os canais de comunicação se multiplicam. Por outro lado, quando falamos no desenvolvimento do Outsourcing, os nossos clientes pensam imediatamente em redução de custos e optimização de processos. É neste campo que verificamos que muito trabalho está por fazer e muitas empresas estão ainda reféns de procedimentos que já não fazem sentido nesta nova era. Esta integração de novas tecnologias tem de ser feita com um plano de alteração de processos de forma a criar o impacto positivo que se espera. Por exemplo, não faz sentido ter uma app se o registo de dados da mesma leva mais tempo a executar e em que a informação final que temos é a mesma de hoje, só porque a “app” é mais recente. Mas se a “app” permite integrar automaticamente esta informação e está disponível via mobile, então já faz todo o sentido. A alteração do processo passa por uma integração automática e uma adaptação do modo operandis de utilização da ferramenta (utilização fixa para utilização mobile). Só com esta mudança conseguiremos que a transformação digital traga o efeito esperado, traduzindo-se em mais eficácia, menos desperdício e desenvolvimento das equipas para tarefas de maior valor acrescentado. Por este motivo criámos um departamento técnico que incorpora a filosofia Lean nas nossas operações e que traz benefícios na cadeia de valor dos nossos clientes. Nos próximos anos iremos assistir à integração de tecnologia em tarefas mais básicas e repetitivas, tendo impacto no volume de operações que temos hoje, mas vemos muitas oportunidades no desenvolvimento de serviços que, no passado, não seriam externalizados e que hoje nos estão a ser requisitados, onde o talento é a chave de sucesso.

  • Insuficiência de profissionais qualificados em TI

Os principais desafios passam pela estrutural insuficiência de profissionais qualificados na área das Tecnologias de Informação e que gera uma crescente e constante concorrência pela procura e atração desses profissionais. Num mundo em que a transformação digital está na linha da frente da estratégia das empresas, encontrar os profissionais para esse processo de transformação torna-se cada vez mais desafiante. Se por um lado esta insuficiência de profissionais, que afeta clientes finais e empresas de outsourcing, pode ser vista como um entrave à evolução e crescimento desta atividade, por outro é também uma excelente oportunidade para as empresas que contam com profissionais especializados nas suas equipas, poderem ajudar os seus clientes no processo de transformação digital.

  • Empresário da ‘era digital’ é o cliente de BPO

Um mundo em transformação digital encara e afirma os processos de forma mais ágil e desburocratizada. Tal sucede não apenas pela redução da presença física do elemento papel, mas também sobretudo pelos novos métodos de trabalho e de organização de tarefas no mundo corporate. Se por um lado a virtualização dos escritórios e o trabalho a partir de casa são potenciados pelas redes de comunicação virtual, também é verdade que as empresas tendem a focar-se cada vez mais no seu core business e a externalizar todos os processos de suporte aos negócios. Isto é, quer o espaço físico de trabalho, quer os processos de trabalho das empresas se tornam novas realidades – é a Era as a service que transformou em avença mensal não apenas o uso da tecnologia, mas também o acesso aos serviços profissionais de apoio ao negócio. O empresário da Era Digital é o cliente de Business Process Outsourcing para as áreas financeiras, administrativas, contabilísticas e de gestão de recursos humanos. Pretende um serviço chave na mão que incorpore qualidade, conhecimento e garantia de continuidade ao longo de todo o contrato. Os recursos a disponibilizar têm de demonstrar a capacidade de rápida incorporação nas tecnologias e nos processos do cliente através da supervisão de proximidade por parte do manager da equipa do prestador de serviços. É neste contexto que a Areagest tem vindo a desenvolver soluções tailor made chave na mão e totalmente integradas para as Empresas da nova Era Digital em quatro grandes áreas: outsourcing financeiro e contabilístico, outsourcing administrativo, outsourcing de gestão de recursos humanos e outsourcing de supervisão financeira/controlo de gestão. Através de soluções totais, funcionais ou de expertise específica trazemos ao Cliente um serviço de outsourcing que permite desmaterializar responsabilidades e preocupações com recrutamentos, formação e ferramentas de trabalho. É uma resposta a uma Era da simplificação digital, mas também a uma Era da relação customizada one-to-one que os próprios canais digitais exponenciam pela necessidade premente da rapidez no acesso à informação.

  • Outsourcing a empresas de contabilidade

As atividades de outsourcing estão, cada vez mais, a deixar de ser meramente transacionais e de back office, constatando-se uma clara tendência para a necessidadede os prestadores de serviços de outsourcing serem capazes de apresentar uma oferta de serviços de valor acrescentado. Anteriormente, o âmbito dos serviços prestados cingia-se a processos não core, rotineiros e em que o nível de especialização era bastante restrito; hoje, a comoditização desse tipo de serviços levou a uma consequente quebra de margens, com um ambiente concorrencial baseado no preço. Tornou-se, como tal, exigível às empresas competirem pela diferenciação de serviços e investirem na inovação de processos, serviços e soluções. A emergência de tecnologias facilitadoras vem, neste contexto, permitir às empresas que se posicionam nesta arena de serviços profissionais promover dois vetores de desenvolvimento: (i) industrializar e rentabilizar os serviços rotineiros e repetitivos, substituindo ou suportando os processos cognitivos tradicionais; e (ii) suportar a inovação e o conhecimento, permitindo percorrer o caminho da diferenciação de serviços. Nas atividades de outsourcing, o tema da 4ª revolução industrial – a revolução da automação ocupa a agenda de transformação do setor e dos serviços prestados pelas empresas. A robótica, o digital, a cloud, os analytics, entre outros, vêm associados a uma economia cada vez mais global e conectada. As tecnologias são simultaneamente facilitadoras e indutoras de maior produtividade, assim como disruptivas. A automação do trabalho é tudo menos nova, mas agora a introdução de robots ou de Inteligência Artificial no outsourcing é um verdadeiro desígnio, que encerra um desafio e uma oportunidade.  As empresas de contabilidade e de outsourcing qualificadas, com foco em tecnologias inovadoras e na transformação digital, estarão melhor preparados para mudar, protegendo e impulsionando o futuro do seu negócio. Para alguns a evolução tecnológica que se apresenta é rápida, para outros será uma transição gradual. Para todos ela apresenta-se como inevitável. Os players que adotarem esta mudança mais cedo estarão na vanguarda da liderança no apoio aos seus clientes, enquanto que os que resistem ou tardam em aceitar a mudança arriscam-se a ficar para trás.

  • Contabilidade já não se faz sem novas tecnologias

Na área em concreto da contabilidade em que a nossa expressão é maior, esta atividade já não se faz sem recurso às novas tecnologias. A forte modernização de que têm sido alvo entidades como a Autoridade Tributária implicam igual posicionamento do lado dos contabilistas certificados sob pena de poderem deixar de ser úteis. Na base da mudança está o potencial de integração correta e automática de informação contabilística a declarar ao Estado e a manter pelas organizações, que se encontra a um nível elevado de rigor e tecnologicamente exigente. Assim, um dos principais desafios é a real possibilidade de as empresas precisarem de menos contabilistas e o outsourcing  passar a ser o seu foco. O efeito conjugado da aceleração da evolução tecnológica e do trabalho da Autoridade Tributária na função de contabilista certificado, exige atenção. Hoje é necessário reinventar a profissão. Faz parte da reinvenção do contabilista manter o foco, sobretudo em inteligência emocional, na relação com o cliente, um dos benefícios da poupança de tempo obtida com os referidos automatismos. O contacto presencial é no meu entender imprescindível, mas também importa corresponder às expectativas “digitais” do cliente de outras formas. Os clientes querem ter cada vez mais a possibilidade de, por exemplo, aceder a informação de balancete “na palma da mão”, usando uma aplicação móvel. Ou percorrer dados contabilísticos facilmente com poucos cliques, além de poder ter um serviço ou sistema para automatizar a recepção de facturas eletrónicas. É uma das áreas em que noto maior aplicabilidade das TIC. Relativamente à área da contratação/RH, a maioria das pessoas  apresentam candidaturas em formato digital. Acresce o incremento do recurso a plataformas digitais como o Skype e o WhatsApp para a realização de entrevistas. Mas ainda assim, nas empresas não se prescinde do diálogo presencial no processo de contratação. O uso da videoconferência é, no entanto, positivo para evitar deslocações para reuniões ou primeiras entrevistas.

  • Atitude para aproveitar oportunidades

O outsourcing é uma opção que as empresas têm disponível para gerir os negócios. As empresas e organizações continuam a evoluir para a especialização e para o consumo/utilização em vez da aquisição. Ora estas tendências são favoráveis à evolução do outsourcing pois, para que as empresas se possam focar no core, optam por colocar em outsourcing tudo o que é considerado suporte à atividade principal. Assim, surgem cada vez mais empresas de outsourcing, especializadas em diversas áreas, que fornecem às empresas, serviços que estas consideram de apoio e não do seu core business. Por outro lado, cada vez mais as empresas e cidadãos, em geral, optam pelo consumo/utilização em vez da aquisição. Tudo se aluga: PC’s, carros, software, equipas de vendas, equipas de merchandising, equipas para a gestão das redes sociais e conteúdos, equipas de help desk etc. A transformação digital não vai alterar estas tendências, irá sim criar oportunidades para que possam surgir novas empresas de outsourcing, com serviços que, até aqui, não existiam e acabar com alguns que se tornarão obsoletos. Penso que é o ciclo normal em cada era, e a era digital não será diferente. O grupo EGOR, que tem largos anos de experiência em outsourcing tem criado, devido à transformação digital diversos serviços e adaptado outros .. É o ciclo normal das empresas e, quem não tiver  a atitude de aproveitar as oportunidades que as novas eras trazem, e não reestruturar ou abandonar aquilo que se tornou, ou vai tornar  obsoleto, dificilmente sobreviverá  às transformações digitais ou outras.

  • Velocidade, agilidade e colaboração

O mercado das tecnologias de informação tem assistido a grandes transformações nos últimos anos. Os ciclos de desenvolvimento tecnológico são cada vez mais rápidos e vão continuar, certamente, em expansão na próxima década. Portugal é, neste momento, um dos países com maior potencial ao nível de soluções de outsourcing em diferentes setores e áreas de atividade. O nosso país revela uma crescente atratividade enquanto plataforma tecnológica para o desenvolvimento de software e novas tecnologias, consultoria, investigação e conhecimento. A Altran colabora com as principais empresas de diferentes setores para que, através de soluções integradas e parcerias estratégicas, consigam atingir os seus objetivos de negócio. Apostamos nas áreas tecnológicas e inovação porque são, cada vez mais, os pilares da sociedade e das organizações, que constantemente enfrentam novos desafios. Atualmente, os projetos de transformação digital acarretam fatores críticos de sucesso que dependem essencialmente de três características: a velocidade, definida pelo mercado em que estamos inseridos, isto é, os clientes e a respetiva concorrência; a agilidade, já que está implícita na adaptação às mudanças que vão surgindo no negócio e, por último, a colaboração interna das organizações, uma condição crítica para o sucesso dos seus projetos. Estas três características são fundamentais para o desenvolvimento de um mercado marcado pela competitividade, onde é prioritário garantir a eficiência, segurança e otimização dos custos das empresas.

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