Transição energética. Presidente da Microsoft destaca importância de aproveitar o “poder” dos dados

“Precisamos de formar novos mercados, especialmente novos mercados de carbono. Precisamos de inovação para novas leis e regras”, especialmente em áreas como o carbono, eletricidade e desperdício, garantiu Brad Smith.

Cody Glenn/Web Summit

O painel Innovating our way out of the carbon crisis da Web Summit contou com o presidente da Microsoft, Brad Smith, que abordou a importância da transição energética em busca da neutralidade carbónica à escala global até 2050. Para Smith, explorar o “poder” dos dados na Inteligência Artificial (IA) pode ser essencial para ultrapassar os desafios que se colocam.

“Precisamos de formar novos mercados, especialmente novos mercados de carbono. Precisamos de inovação para novas leis e regras”, especialmente em áreas como o carbono, eletricidade e desperdício, garante.

Smith sublinha que se trata da “maior mudança no clima global nos últimos 11 mil anos, quando terminou a última idade do gelo”, e garante que a tecnológica norte-americana está a trabalhar para inverter a tendência negativa.

Na Microsoft “estamos a procurar a neutralidade carbónica, otimizar o consumo de água e zero desperdício para 2030. Isto está a transformar cada parte da nossa empresa”, reitera, antes de lembrar que a mudança já está a acontecer em todo o globo.

“Estamos a entrar numa nova era. Uma era que vai ser marcada por uma revolução ao nível da sustentabilidade nas próximas três décadas”, mas sempre com um “prazo apertado”.

É urgente, de acordo com o presidente executivo, conectar a “tecnologia digital com novas empresas que trabalham para resolver os problemas ambientais”, já que “a chave do futuro vai ser uma nova geração de pessoas com uma nova geração de tecnologia que chega de uma nova geração de empresas.”

Smith deu exemplos de empresas que podem ser importantes para reduzir as emissões de carbono no futuro, como é a Planet, cujos satélites permitirão, um dia, medir as emissões de carbono em locais específicos e em tempo real. Uma tecnologia que, em ultima instância, permitirá aos Governos intervir nesta temática de forma mais concreta.

O presidente da Microsoft lembrou o foco que é preciso colocar na “transição energética” à escala global. Isto porque, do carbono emitido em todo o mundo, uma grande parte é resultado precisamente da indústria da energia. Smith lembrou, aliás, que, no ano passado, 29% das emissões de carbono em todo o mundo chegaram das mais de cinco mil centrais a carvão que existem no globo, as quais geraram 37% da eletricidade à escala mundial.

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Artigo corrigido: Brad Smith é presidente da Microsoft e não CEO, como foi anteriormente identificado

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