Os lisboetas não são cobaias

A Câmara de Lisboa continua a dar largas ao seu insaciável experimentalismo rodoviário, procurando transformar cada lisboeta numa cobaia do asfalto.


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Fiel à máxima de mudar o que está bem enquanto mantém inalterado o que está mal.

Quem mora e trabalha na capital sabe muito bem a que me refiro: às constantes “intervenções” no trânsito lisboeta que serviram para embrulhar o tráfego em vez de o escoar, deixando os automobilistas à beira de sucessivos ataques de nervos. “Intervenções” concebidas em gabinetes por gente que propõe sem conhecer, que decide sem ouvir, que inova sem atender aos danos provocados.

Foi assim no Marquês de Pombal: justificadas como uma iniciativa da autarquia para “melhorar” o trânsito neste centro nevrálgico da circulação rodoviária, as mudanças conseguiram apenas congestionar ainda mais a larga rotunda, vital como via de atravessamento para quem entra e para quem sai da cidade.

Foi assim também na Avenida da Liberdade, que viu profundamente modificado o sentido do tráfego, contrariando práticas há muito estabelecidas e com resultados comprovados. Em consequência, o caos do Marquês alastrou à Avenida, tornando-a ainda mais propícia a monumentais engarrafamentos. Pretendia-se “racionalizar” o trânsito, mas tudo sucedeu ao contrário. Sem termos ouvido um pedido de desculpa de qualquer responsável camarário.

Foi assim ainda na Ribeira das Naus, sujeita a intermitentes encerramentos intervalados de ocasionais aberturas ao trânsito automóvel e submetida a obras de reparação escassos meses após ter sido inaugurada.

De tudo isto sobressai uma imagem de improvisação e desleixo que não pode passar sem um reparo severo de todos quantos não se conformam com uma gestão citadina que tem tanto de frenética como de errática.

Uma gestão que parece nada aprender com os erros cometidos. Só assim se justifica o mais recente anúncio do presidente da câmara. Fernando Medina promete agora alterar outra das principais vias de atravessamento de Lisboa: a Segunda Circular. “Para acentuar as suas características urbanas”, quer enchê-la de pavimentos e dotá-la até de um separador central com árvores e candeeiros, enquanto remete o essencial do escoamento do trânsito para a Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL).

É mais caos rodoviário que se anuncia, é mais poluição que se gera, é mais tempo perdido no trânsito, é mais desconforto para quem habita ou trabalha em Lisboa. Com dispêndio perfeitamente escusado de verbas públicas, que bem poderiam ser aplicadas junto da população que delas carece.

Sucede que, ao contrário do que supõe Medina, os lisboetas não são cobaias. Já basta de tanto experimentalismo.

Por Mauro Xavier,
Gestor

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