Transportadora angolana TAAG e sindicato abrem via negocial após pressão da tutela

A reunião acontece dias depois de o ministro dos Transportes ter exigido a abertura de conversações.

A TAAG e o Sindicato Provincial do Pessoal Navegante de Cabine (SINPROPNC) reuniram-se para discutir a atual situação da companhia de bandeira angolana, dias depois de o ministro dos Transportes ter exigido a abertura de conversações.

Segundo um comunicado da TAAG, o encontro entre os responsáveis da companhia aérea e os representantes do SINPROPNC, durou cerca de três horas e serviu para “auscultação mútua e exposição de informação relevante sobre a situação atual da TAAG, bem como as preocupações da classe do Pessoal Navegante de Cabine”.

“Foi o que sempre quisemos, que a empresa estivesse aberta a ouvir as legítimas preocupações dos trabalhadores através do órgão que os representa e que acima de tudo, esteja aberta ao diálogo e a negociação”, disse à Lusa o secretário adjunto do SINPROPCN, Délio Gomes.

O comunicado da TAAG adianta que foi estabelecido o compromisso de manter as sessões “para a boa resolução de questões laborais e preocupações relacionadas com o desenvolvimento da companhia”.

Salienta também que o SINPROPNC foi esclarecido sobre o papel do Pessoal Navegante de Cabine na estratégia de crescimento da TAAG, tendo sido dado “enquadramento sobre as decisões de gestão tomadas” e restabelecido um canal para o diálogo direto entre as partes a fim de apresentar ao sindicato as opções e propostas da TAAG para acomodar as reclamações e inquietações dos sindicalistas.

Na segunda-feira, o ministro dos Transportes angolano, Ricardo Viegas d’Abreu, chamou os representantes do Sindicato do Pessoal Navegante de Cabine (SPNC), na sequência de um protesto destes trabalhadores que teve lugar no fim de semana no Aeroporto 4 de fevereiro, em Luanda, exigindo a abertura de um “espaço de diálogo “para sanar as questões divergentes

Ricardo Viegas d’Abreu quis saber quais foram “as reais motivações que levaram a que se chegasse a um ponto extremo de uso de mecanismos mediáticos e eventualmente à margem da lei”, recomendando ao sindicato e à TAAG que criem “um clima negocial e de comunicação, franco e aberto”.

“Preocupa-nos ver vídeos nas redes sociais, sem que para se atingir esse clima de rutura se tenham esgotadas todas as alternativas, previstas na Lei, incluindo a negociação de um caderno reivindicativo que nunca foi apresentado pelo sindicato”, referiu o ministro, citado numa nota do Ministério dos Transportes.

“Pelo conteúdo dos vídeos, comentários e uma vez auscultado o referido sindicato, é nítida a perceção de que está a haver deturpação sobre a estratégia de reestruturação da TAAG”, lê-se no comunicado, onde o ministro reitera que “o caminho não pode ser construído, com calúnia, difamação e ofensas pessoais”.

O governante alertou ainda para a necessidade de melhorar a comunicação, reafirmando a necessidade de o Conselho de Administração abrir “espaço para o diálogo com a classe e auscultação das suas preocupações e inquietações de forma civilizada e urbana”.

As inquietações sobre o futuro da TAAG já tinham anteriormente dado lugar a um esclarecimento público da companhia aérea sob a forma de entrevista com a presidente do conselho de administração, Ana Major, após ter sido anunciado que a operação em Lisboa iria adotar o modelo GSA (General Sales Agent), passando a escala a ser gerida pela entidade Summerwind GSA.

Nesse documento, Ana Major desmentia a venda da TAAG a um grupo espanhol e dizia que a empresa não iria fechar em Portugal.

“Porém, será mantido um núcleo mínimo e essencial de colaboradores TAAG em Lisboa”, acrescentava Ana Major, garantindo que seriam acautelados os direitos legais dos trabalhadores.

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