Transtejo recua. Bicicletas não ficam em terra

As bicicletas vão poder continuar a viajar nos navios da Transtejo. Depois da proibição anunciada esta quarta-feira, a Administração da Transportes de Lisboa voltou atrás. A entrada em vigor da interdição do transporte de bicicletas em três das cinco travessias do Rio Tejo, anunciada esta quarta-feira, teria efeito a partir da próxima segunda-feira e por um prazo indeterminado. A decisão […]


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As bicicletas vão poder continuar a viajar nos navios da Transtejo. Depois da proibição anunciada esta quarta-feira, a Administração da Transportes de Lisboa voltou atrás.

A entrada em vigor da interdição do transporte de bicicletas em três das cinco travessias do Rio Tejo, anunciada esta quarta-feira, teria efeito a partir da próxima segunda-feira e por um prazo indeterminado. A decisão inicial apanhou os ciclistas de surpresa e a polémica instalou-se rapidamente.

Esta tarde, o Conselho de Administração da Transportes de Lisboa recuou e anunciou que “decidiu manter temporariamente, até solução formal a definir com a Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), o transporte de bicicletas nas condições atuais”.

Quarta-feira, no rescaldo da Semana Europeia da Mobilidade (16 a 22 de setembro), os passageiros ciclistas começaram a ser informados que a partir de dia 28, inclusive, não poderiam transportar bicicletas na travessia do Tejo.

Foi com surpresa que Gonçalo Pais, que se desloca habitualmente de bicicleta combinada com transportes públicos, recebeu, quarta-feira, o alerta de um segurança da estação fluvial do Cais do Sodré: “a Transtejo não vai permitir bicicletas nos seus navios” a partir de 28 de setembro. Pouco mais informação lhe foi transmitida, para além de que “numa primeira versão [da circular] a suspensão seria mesmo a partir de 23”. O ciclista não foi informado nem dos motivos da decisão nem de que a medida tinha carácter temporário da medida, explicou em declarações ao OJE Digital.

Entretanto, a comunidade mobilizou-se e, em pouco mais de 24 horas, a administração da Transportes de Lisboa voltou atrás. A Transtejo apenas solicita aos utilizadores de bicicletas nas ligações fluviais Barreiro – Terreiro do Paço e Trafaria – Porto Brandão – Belém (ferry) “o cuidado de manterem estes veículos sob vigilância permanente e parqueadas em local que não condicione os acessos internos dos navios, para que as questões de segurança dos passageiros sejam acauteladas”.

 

Breve história da proibição

A Transportes de Lisboa, empresa que agrega a Transtejo, a Carris e o Metropolitano de Lisboa, publicou quarta-feira um comunicado no seu site (entretanto retirado), no qual referia que a proibição se devia a “motivos legais e de segurança no transporte de passageiros”.

No mesmo comunicado, a Transportes de Lisboa assinalava que “a medida é aplicada devido a inconformidades legais e de segurança detetadas na frota que serve as ligações fluviais do Montijo, Seixal e Cacilhas”.

Alegando que “a promoção dos modos suaves de transporte continua a ser um dos vetores estratégicos do transporte fluvial”, a empresa referiu estar em contacto com a DGRM para encontrar uma solução.

Ao longo da nota, a Transportes de Lisboa assinalava várias vezes que esta seria uma “restrição temporária” nas ligações fluviais do Montijo, Seixal e Cacilhas, estando em causa questões “legais e de segurança”.

Ao início da tarde de quinta-feira, a Câmara Municipal de Almada manifestou o seu desagrado em comunicado. A edilidade “lamenta profundamente” a situação criada “a qual coloca em causa muitos anos de esforço conjunto do Município e operadores de transportes públicos, designadamente a Transtejo”, que permitiu por exemplo, numa primeira fase “a criação de um passe intermodal passageiro/bicicleta, que se traduziu numa redução sensível dos custos de transporte de bicicleta entre Almada e Lisboa e, numa segunda fase, no transporte gratuito de bicicletas entre as duas margens”.

A autarquia ter-se-á entretanto dirigido à Administração da Transtejo e à DGRM, com o objetivo de envidar esforços para desencadear, com a máxima celeridade “os procedimentos que permitam o respeito por todas as normas legais aplicáveis ao transporte de bicicletas nos navios da Transtejo, e que no período até à introdução das adaptações necessárias, o transporte de bicicletas não seja suspenso”.

Antes do passo atrás da administração da Transportes de Lisboa, o Governo assinalou que não pediu a interdição do transporte de bicicletas em três das cinco ligações fluviais do Rio Tejo. Este comentário do Ministério da Agricultura e do Mar enviado por escrito ao jornal Pedais.pt, especializado em matérias relacionadas com o ciclismo urbano e mobilidade suave, era perentório: A DGRM “não proibiu o transporte de bicicletas nos navios da Transtejo”, antes “recomendou o cumprimento das regras de segurança num transporte marítimo”.

No comunicado inicial da Transportes de Lisboa, entretanto apagado, a empresa alegava o cumprimento de regras que desconhecia até agora para interditar o transporte de bicicletas por passageiros dos navios que fazem as ligações de ida e volta Lisboa-Montijo, Lisboa-Seixal e Lisboa-Cacilhas. Na mesma informação assinalava que “a falta de certificação de normas de segurança é o argumento apresentado, acrescentando que já foram encaminhados os processos para conseguir a homologação dos navios em causa para poderem continuar a assegurar o transporte de bicicletas”.

A comunidade de ciclistas mobilizou-se e já tinha sido convocada uma manifestação de protesto para sexta-feira, frente ao Ministério de Assunção Cristas. Outros grupos informais no Facebook estavam igualmente a promover ações de protesto.

Atualização às 19h56: A manifestação de protesto agendada para sexta-feira, no Terreiro do Paço, em Lisboa contra a interdição do transporte de bicicletas nalgumas ligações fluviais da Transtejo foi desconvocada horas depois da empresa ter recuado na decisão. Uma nota da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), que marcou o protesto, refere que “Estando o cenário de proibição do transporte de bicicletas afastado, deixa assim de existir o principal fundamento para a manifestação convocada”.

Por Mafalda Simões Monteiro/OJE

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