Tréguas no Reino Unido impressionam pouco Bruxelas

Bruxelas considera a vitória de May um assunto interno que não muda nada em relação ao Brexit. Entretanto, as listas de candidatos à sucessão da primeira-ministra começam a engrossar.

A vitória da primeira-ministra britânica Theresa May sobre os seus adversários internos do Partido Conservador e a provável trégua política que se seguirá é uma questão exclusiva de política interna e importa pouco no que concerne às relações com Bruxelas: na capital europeia, o que tem relevância é que May teve de suspender a votação no acordo do Brexit porque sabia que iria perder – mas não foi por isso que os 27 países da União se afastaram da decisão de que não haverá mais negociações.

É por isso – mesmo sabendo-se que é impossível que o Brexit não seja comentado – que o Conselho Europeu que hoje começa tem uma agenda recheada de assuntos de futuro, como a política de imigração, o mercado único ou o orçamento comum.

Entretanto, em Inglaterra, e sabendo-se que Theresa May sairá da liderança do partido antes das próximas eleições gerais, o tempo é de posicionamento dos futuros candidatos à substituição da primeira-ministra.

Segundo a imprensa britânica há para já quatro conservadores – ou antes, três conservadores e uma conservadora – na calha para a sucessão: Sajid Javid, Jeremy Hunt, Boris Johnson e Amber Rudd.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson é, desde que saiu do governo (em junho), uma pré-candidato sempre presente em todas as listas à sucessão de May. Considerado muito popular entre os conservadores mais aguerridamente defensores de um Brexit duro, todo o partido sabe das suas qualidades quando em campanha. Não é por acaso que Johnson foi eleito duas vezes como mayor de Londres. Mas também não será fácil esquecer que o seu papel como ministro foi muito pouco apreciado – o que redundou na criação de muitos anti-corpos em Bruxelas. Resta saber se isso não será precisamente um trunfo para consumo interno.

De qualquer modo, as sondagens tendem a considerá-lo um dos melhores candidatos a líder do partido.

Logo abaixo costuma aparecer de Johnson costuma aparecer Sajid Javid, secretário de Estado do Interior e um dos maiores trunfos de May na vitória de ontem face aos irrequietos deputados contrários à primeira-ministra. Javis tem sido um dos poucos que se tem ao lado da primeira-ministra, nomeadamente nas alturas mais acaloradas do debate interno em torno do Brexit.

Mas, num quadro em que os conservadores querem voltar a página sobre o período de May, é possível que esta fidelidade outrora bem-vinda acabe por ser um mau ponto de partida para uma candidatura. Além disso, segundo os jornais britânicos, Javid tem uma irritante falta de capacidade de clareza quando fala em público.

Jeremy Hunt foi o sucessor de Johnson no governo e, como o homem que sucedeu, também conseguiu exasperar muitos políticos em Bruxelas – nomeadamente quando comparou a União Europeia (os outros 27) ao antigo bloco soviético para caraterizar o que considerava ser uma perseguição contra o Reino Unido.

Hunt é um dos deputados mais ricos do Parlamento britânico e isso nem sempre é uma vantagem quando e se estiver perante debates com os trabalhistas.

Amber Rudd, secretária de Estado do Trabalho, é considerada extremamente ambiciosa – a pontos de ter informado os seus mais próximos das intenções de suceder a Theresa May ainda antes de esta ver o seu lugar colocado em causa.

Contudo, ninguém pode esquecer outros nomes em foco. Dois deles podem ser decisivos: Dominic Raab – apesar de alguma fidelidade a May, mas tendo a vantagem da idade – e Jacob Rees-Mogg, que de algum modo foi quem liderou a investida dos conservadores contra a sua própria líder.

Mas, para já, 2022 ainda está muito longe.

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