Turquia critica Alemanha e insiste em entrar na União Europeia

O regime da Turquia voltou a sinalizar a sua vontade de aderir à União Europeia, numa altura em que os 27 se apressam em ‘encaixar’ os Balcãs Ocidentais. A ministra alemã dos Negócios Estrangeiros, Annalena Baerbock, visitou Ancara.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Çavuşoglu, criticou a Alemanha por perder sua posição neutral e exortou Berlim a adotar uma postura imparcial em relação ao seu papel de mediador na contenda entre Turquia e Grécia.

Instando a Alemanha a ter cuidado com as provocações e a propaganda da Grécia e do governo cipriota grego de Chipre, o ministro, citado pela imprensa turca, enfatizou a necessidade de uma postura equilibrada por parte da União. A seu lado, estava Annalena Baerbock, ministra homóloga da Alemanha, que esta sexta-feira visitou a Turquia.

“A Alemanha teve uma postura neutra como mediadora em relação às disputas entre Turquia, Grécia e a administração cipriota grega, mas perdeu a sua imparcialidade”, disse. “As ilhas gregas de Lesbos, Chios, Rodes e muitas outras são territórios gregos e ninguém tem o direito de questioná-las”, respondeu Baerbock. “Não podemos resolver os problemas do Mediterrâneo Oriental aumentando as tensões”, acrescentou, o que, segundo as mesmas fontes, não pareceu agradar ao ministro turco.

“Quando Angela Merkel era chanceler, a posição da Alemanha era equilibrada”, disse Çavuşoglu, escamoteando desta forma uma série de incidentes diplomáticos ocorridos então, como por exemplo a questão dos refugiados, a interferência alegada por Ancara a quando do referendo constitucional que determinou o acrescento do poder da presidência, ou a assunção da evidência histórica do genocídio arménio de 1915.

Mesmo assim, é de admitir que a Alemanha desempenhou um papel central para ajudar a acalmar outro aumento nas tensões entre Ancara e Atenas em 2020.

Nos últimos meses, a Turquia intensificou as críticas à Grécia, que estacionou tropas em ilhas no leste do mar Egeu, perto da costa turca e, em muitos casos, visíveis da costa. Essas ilhas estavam desmilitarizadas pelo Tratado de Lausanne de 1923 e pelo Tratado de Paris de 1947, ou seja, quaisquer tropas ou armas nas ilhas são estritamente proibidas. Além disso, a Turquia e a Grécia trocaram acusações de violações do espaço aéreo nos últimos meses.

O ministro da Turquia também expressou preocupação com o aumento da xenofobia e da islamofobia na Europa e particularmente na Alemanha – onde vivem quase cinco milhões de muçulmanos, sendo cerca de três milhões descendentes de turcos.

Como não podia deixar de ser, Mevlut Çavuşoglu também recordou que Ancara espera que a União Europeia elimine os obstáculos políticos à adesão da Turquia. O tema é cada vez mais melindroso. Não só porque a Turquia espera há décadas pelo regresso das negociações nesse sentido, mas também porque, como consequência da guerra na Ucrânia, os 27 estão agora com pressa de abrir a União aos países dos Balcãs Ocidentais.

Para além dos evidentes riscos de fazer entrar para a União vários países que estão muito longe de cumprirem os critérios de Copenhaga, está claro para vários analistas que, se do ponto de vista geopolítico é importante captar a região para o lado ocidental, não é menos importante ‘segurar’ a Turquia.

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