Turquia e Israel ensaiam reaproximação

A geopolítica do Médio Oriente está a mudar de forma radical: alguns países muçulmanos aceitaram relacionar-se com Israel e a ‘moda’ parece ter pegado. Se tudo correr bem, Donald Trump pode ganhar um lugar nos livros de história.

STR/Lusa

Salvo surpresas de última hora, um novo embaixador turco deixará em breve Ancara para se fixar em Israel, dois anos depois que o seu antecessor ter sido chamado à capital turca e nunca mais ter regressado, depois da morte de vários palestinianos às mãos de forças israelitas durante a ocorrência de protestos na fronteira de Gaza.

Segundo avança a imprensa turca, o novo embaixador é Ufuk Ulutas, de 40 anos, que estudou hebraico e geopolítica do Médio Oriente na Universidade Hebraica. Ulutas não é um diplomata profissional: foi líder do ‘think tank’ Fundação SETA para Investigação Política, Económica e Social, e é próximo do presidente Recep Erdogan.

A confirmar-se a nomeação, seria a primeira vez que a Turquia enviaria um representante político para servir como embaixador em Israel – ao invés de um diplomata de carreira. Isso pode querer dizer, ainda segundo a imprensa local, que Erdogan quer ter em Israel alguém que lhe seja suficientemente próximo para ser o próprio presidente a liderar a aproximação ao Estado judaico.

Tal como tem acontecido com as anteriores aproximações entre Tel Avive e alguns países muçulmanos – os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão e mais recentemente Marrocos – o restabelecimento de relações entre a Turquia e Israel não será por certo uma boa notícia para o Irão. Na capital, Teerão, teme-se que esteja cada vez mais próxima uma aproximação entre Israel e a Arábia Saudita – o que, a acontecer (e há todos os motivos para se acreditar que mais tarde ou mais cedo acontecerá), juntará os dois piores atuais inimigos do regime dos aiatolá.

Com o Irão cada vez mais próximo de eleições para a presidência – neste momento ocupada pelo (muito) moderado Hassan Rouhani – o regime, nomeadamente a cúpula religiosa que verdadeiramente manda no país, pode optar por fazer eleger um elemento mais radical e próximo das opções políticas e estratégicas do aiatolá Ali Khamenei.

Se isso suceder, é possível que a vontade norte-americana de regressar à mesa das negociações com o Irão acabe por esmorecer – o que seria uma péssima notícia para o equilíbrio militar, sempre instável, da região.

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