Turquia e Líbia estreitam relações na área da energia. UE e Grécia já se queixaram

Turquia e Líbia assinaram um memorando de entendimento para fortalecer ainda mais a cooperação entre os dois países. As áreas dos media e comunicações e das energias estão no topo da agenda num país caótico. A União Europeia olha com desconfiança para os acordos.

Recep Tayyip Erdogan

A Direção de Comunicações da Presidência da Turquia firmou um acordo assinado entre o diretor daquele organismo, Fahrettin Altun, e o ministro de Estado e das Comunicações e Assuntos Políticos da Líbia, Walid Al-Lafi.

Segundo a imprensa turca, que cita um comunicado oficial, os dois países farão esforços para estabelecerem uma plataforma conjunta de media na qual os dois países cooperarão para combater notícias falsas e desinformação.

“Além dos programas de treino e intercâmbio a serem realizados entre os dois países na área dos media e comunicação, é incentivada a cooperação entre as agências oficiais de notícias e está prevista a troca mútua de conteúdos visuais, sonoros e eletrónicos”, acrescentava o comunicado.

Uma delegação de alto nível , incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavusoglu, o porta-voz presidencial Ibrahim Kalın, o ministro da Energia e Recursos Naturais Fatih Dönmez, o ministro da Defesa Hulusi Akar, o ministro do Comércio Mehmet Muş, viajaram para a capital do país do norte da África para negociações sobre laços bilaterais e questões regionais.

Sendo as notícias falsas uma preocupação que, num país submerso no caos e qua dividido a meio entre dois governos a carecerem de legitimidade, não estará no topo da agenda, a aproximação entre Ancara e a capital da Líbia – que em princípio ainda é Trípoli – está particularmente direcionada para a questão das energias.

Turquia e a Líbia assinaram vários acordos económicos e marítimos preliminares durante a visita da delegação turca. Os acordos, que Mevlüt Çavusoglu e o sue homólogo líbio Najla Mangoush disseram que vão beneficiar os dois países, incluem um acordo sobre energia que permitirá a exploração de petróleo e gás em águas líbias no Mediterrâneo Oriental.

O acordo sobre os hidrocarbonetos ocorre três anos depois de os dois países terem assinado um acordo de fronteira marítima, que demarcou as suas fronteiras partilhadas no Mediterrâneo Oriental para evitar qualquer tensão.

A Grécia já veio queixar-se do acordo, uma vez que, precisamente, existem fortes tensão regionais quando o assunto são as fronteiras marítimas – e particularmente as do Mediterrâneo Oriental, onde se cruzam os interesses grego, líbio, egípcio, turco, israelita, e libanês. Entre outros.

“Não importa o que eles pensam”, disse Çavusoglu, citado pela imprensa turca. “Países terceiros não têm o direito de interferir”. A Grécia mas também a União Europeia (UE) colocaram objeções ao acordo. A Grécia denunciou-o como “ilegal” e disse que se oporia a qualquer atividade no Mediterrâneo Oriental. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Grécia disse que Atenas tem direitos soberanos na área e que os que pretende defender “com todos os meios legais, em pleno respeito ao direito internacional do mar”.

As relações entre Turquia e Grécia estão num dos seus piores momentos: direitos submarinos de exploração de gás e petróleo no Mediterrâneo Oriental, fronteiras marítimas e espaço aéreo, são alguns dos temas em que os dois países não concordam.

Entretanto, o porta-voz da UE para assuntos externos, Peter Stano, disse em comunicado que o acordo de hidrocarbonetos “potencialmente mina a estabilidade regional”.

“As objeções a um acordo assinado por dois Estados soberanos não são apenas contra a lei internacional, mas também contra os princípios básicos da ONU”, dizia um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros turco.

“A União não é um órgão judicial internacional para comentar ou julgar acordos entre países terceiros soberanos”. O líder do governo de unidade baseado em Trípoli e primeiro-ministro Abdul Hamid Mohammed Dbeibah, supervisionou a assinatura do acordo.

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