Erdogan, islamista conservador, no poder desde 2017, obteve 49,5% dos votos na primeira volta contra 44,9% de Kiliçdaroglu, de centro-esquerda e laico, que contestou os resultados oficiais.

Depois de a aliança em torno de Erdogan e liderada pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) ter assegurado uma nova maioria absoluta no parlamento na primeira volta das eleições no passado dia 14 de maio, a estratégia dos dois rivais centrou-se na tentativa de assegurar os 5,2% de votos que na primeira volta contemplaram Sinan Ogan, terceiro candidato presidencial e com um acentuado discurso anti-imigração.

Kiliçdaroglu, líder do Partido Republicano do Povo (CHP) desde 2010 e que se apresentou nas urnas como o candidato presidencial de uma coligação de seis partidos da oposição turca, protagonizou nas duas últimas semanas uma viragem à direita na tentativa de captar o voto ultranacionalista, para desagrado das forças mais à esquerda que o apoiam.

Apesar de não existirem projeções, deverá ser difícil a Kiliçdaroglu captar os 2,6 milhões de votos que lhe faltam para chegar à Presidência.

A retórica nacionalista e xenófoba que também privilegiou no seu discurso desiludiu e desmotivou muitos apoiantes, em particular nos centros cosmopolitas e entre os jovens. O que também favorece Erdogan, que apenas necessita de mais 400 mil votos face à primeira volta.

Para o escrutínio presidencial de hoje na Turquia, país membro da NATO com cerca de 85 milhões de habitantes, mais de 61 milhões eleitores inscritos vão poder exercer o direito de voto.

As assembleias de voto vão encerrar às 17h00 (15h00 em Lisboa), sendo esperados os primeiros resultados ao início da noite.