Turquia estabelece um limite para avançar sobre a Síria

Ancara informou a Rússia e os Estados Unidos que têm umas poucas semanas para convencerem os grupos que atuam na Síria e estão infiltrados por curdos a deixarem as proximidades da fronteira comum.

A Turquia estabeleceu um prazo para a Rússia e os Estados Unidos impedirem uma operação militar terrestre no norte da Síria, impondo que os dois países convençam os curdos das Forças Democráticas da Síria (SDF) a retirarem dentro de duas semanas de Manbij, Tal Rifaat e Kobane, no norte da Síria e junto à fronteira com a Turquia.

A Turquia não estenderá esse prazo e alertou que a alternativa será uma operação militar contra o SDF, apoiado pelos Estados Unidos, formado em grande parte pelas Unidades de Proteção do Povo (YPG), dominadas pelos curdos.

Ancara considera o YPG como o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo designado como terrorista na Turquia, nos Estados Unidos e na União Europeia. O regime de Erdogan ameaçou com uma nova operação terrestre contra os grupos no norte da Síria e intensificou os preparativos desde que um atentado em Istambul atribuído ao PKK (mas não reivindicado) matou seis pessoas em 13 de novembro passado.

Segundo as agências internacionais, os Estados Unidos, que não quererão perder o concurso daquela força bem enraizada no terreno, propuseram à Turquia uma reestruturação do SDF – que passaria pelo aumento do contingente árabe e a diminuição do papel dos curdos. A Turquia disse que o controlo das instalações petrolíferas por parte da SDF tinha de terminar antes de considerar qualquer proposta norte-americana.

O grupo, que é a principal força local com a qual os Estados Unidos contam na luta contra o Estado Islâmico, disse na passada sexta-feira que não participaria mais em patrulhas conjuntas com as tropas norte-americanas, como medida de retaliação face às pretensões turcas. Mais tarde, o líder do SDF, Mazloum Abdi, confirmaria que as patrulhas conjuntas foram retomadas. A organização que dirige aproximou-se nos anos mais recentes do regime sírio de Bashar al-Assad.

Entretanto, enquanto procura estabelecer uma zona segura de 30 km ao longo da fronteira com o norte da Síria, a Turquia fez saber que planeia construir 100 mil casas região para alojar, até ao final deste ano, os deslocados internos durante a guerra civil síria.

Quando a guerra começou, o país abriu as suas portas aos que tiveram que fugir da Síria – mas os refugiados acabaram por ser um problema tanto pata a Turquia como para a União Europeia – que concluíram um estranho negócio segundo o qual esta pagava àquela para reter os refugiados antes de ultrapassarem qualquer fronteira da União Europeia.

A partir de 2016, a Turquia limpou a província síria de Idlib de elementos do PKK, afirmando que eliminou quase 17 mil ‘terroristas’. Neste momento há cerca de 4.453 famílias nos cinco acampamentos e orfanatos coordenados pelo Crescente Vermelho.

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