Turquia prestes a inaugurar gasoduto no Mar Negro

O país, dependente da Rússia, China e Azerbaijão em termos de gás natural, tem estado muito ativo na procura de novas fontes energéticas tanto no Mar Negro como no Mar Mediterrâneo.

A instalação de tubulações para uma rede submarina que transportará por terra gás natural turco descoberto nas águas do Mar Negro está praticamente concluída, disse o ministro da Energia e Recursos Naturais do país, citado pelos jornais nacionais. A descoberta deu-se ao largo da província nortenha de Zonguldak, no campo de Sakarya.

Os trabalhos do gasoduto foram acelerados para cobrir uma parte da dependência da Turquia em termos de gás natural neste período de crise. Com lançamento previsto para o próximo ano, o campo está deverá conter cerca de 540 biliões de metros cúbicos (bcm) de gás, descoberto em agosto de 2020. A Turquia pretende começar a bombear o gás para a sua rede principal em março de 2023.

“Como afirmámos antes, planeamos realizar o primeiro fluxo de gás no primeiro trimestre do 100º aniversário da república, em março”, disse o ministro Fatih Dönmez. Neste momento, foram já concluídos cerca de 140 km do gasoduto, que terá uma extensão total de km e ligará os poços no campo de Sakarya à instalação de processamento de gás em Zonguldak.

A Turquia pretende transferir dez milhões de metros cúbicos (mcm) de gás natural por dia a partir do primeiro trimestre do próximo ano e o presidente Recep Erdogan disse que a produção atingirá o seu pico em 2026.

O país é quase completamente dependente de importações para cobrir as suas necessidades de energia, o que o deixa vulnerável a custos crescentes que dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia – e a procura doméstica aumentou durante e a partir da pandemia.

Sendo um dos maiores importadores de gás da Europa, a Turquia depende do gás e de ligações por gasoduto da Rússia e do Irão, bem como do Azerbaijão, e das importações de gás natural liquefeito (GNL) da Nigéria, Argélia e dos mercados spot. No ano passado, 45% do gás usado na Turquia veio da Rússia e o restante do Irão e do Azerbaijão.

Segundo o ministério, 30 navios e um total de oito mil funcionários estão a trabalhar no projeto sem interrupções.

Mais tarde se perceberá se a Turquia tem ou não capacidade para passar a ser um país exportador de petróleo, uma vez que as buscas continuam não só no Mar Negro, como também no Mar Mediterrâneo oriental – uma zona que se tem revelado capaz, pelo menos no que tem a ver com a zona de Israel.

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