Turquia sinaliza que pode recorrer à Rússia se EUA bloquearem venda de aviões militares

A Turquia, país da NATO, pode recorrer a outros países como a Rússia se os Estados Unidos não cumprirem a sua promessa de entregar caças F-16 ao país, disse o presidente Recep Erdogan.

Um projeto de lei recentemente aprovado pelos legisladores norte-americanos criou um novo obstáculo a qualquer compra pela Turquia de caças F-16 fabricados pela Lockheed Martin. Neste contexto, o governo de Ancara deixou saber que, se não conseguir esses aviões, poderá recorrer a outros mercados, nomeadamente a Rússia, refere a imprensa turca.

A Câmara dos Representantes norte-americana aprovou em julho legislação que impediria a venda a Ancara, a menos que o governo Biden certifique que isso é essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos. A lei também inclui uma descrição de medidas concretas tomadas para garantir que os caças não sejam usados para “voos não autorizados” sobre a Grécia.

O presidente, Joe Biden, disse que iria comprometer-se em convencer os legisladores a entregar os caças F-16 à Turquia. O seu homólogo turco, Recep Erdogan lembrou que Biden disse em junho que “vai dar todo o apoio que puder em relação aos F-16”.

Expressando esperança de que os norte-americanos “não levem” a Turquia a “trilhos diferentes”, Erdogan disse, citado pelos jornais do país que “os Estados Unidos não são os únicos que vendem aviões de guerra no mundo. O Reino Unido, a França e a Rússia também os vendem”. “É possível obtê-los noutros lugares”.

As declarações do líder turco surgem antes de uma reunião agendada com o presidente Vladimir Putin na cimeira regional no Uzbequistão na próxima semana. Em outubro do ano passado, a Turquia fez um pedido para comprar 40 caças F-16 e quase 80 kits de modernização para atualizar a sua frota. O negócio ascenderia a cerca de seis mil milhões de euros.

A venda de armas dos Estados Unidos à Turquia tornou-se controversa depois de Ancara ter adquirido sistemas de mísseis de defesa S-400 fabricados na Rússia. O acordo desencadeou sanções dos Estados Unidos e a remoção de Turquia do programa de caças F-35. Além disso, criou forte animosidade no seio da NATO.

Recomendadas

Consórcio confirma existência de petróleo em São Tomé e Príncipe

O consórcio é composto pela Galp STP (operador) com 45% de interesses participativos, Shell STP com 45%, e a ANP–STP, em representação do Estado são-tomense, com 10% de interesses participativos.

Bósnia-Herzegovina: eleições ensombradas por milhares de votos inválidos

Quatro dias após as eleições, ainda não há resultados validados e o risco do não reconhecimento do ato eleitoral ou da sua repetição é grande. Entretanto, na República Srpska, Mirolad Dodic jura fidelidade a Moscovo.

Lado turco de Chipre exige reconhecimento às forças de paz da ONU

A República Turca do Chipre do Norte, país que só a Turquia reconhece, quer que a força de paz da ONU, que está no terreno desde 1964, reconheça a existência do país. Ou então que se retire.
Comentários