U.Porto conquista bolsa de 2,5 milhões para investigar outras terras no Universo

O cientista Nuno Cardoso Santos coordena o projeto reconhecido pelo European Research Council, cujo objetivo é desenvolver novos métodos de análise de dados, para modelar e caracterizar as causas do ruído estelar com uma precisão sem precedentes, que vão abrir caminho à deteção da Terra 2.0.

O European Research Council atribuiu uma bolsa Advanced Grant de 2,5 milhões de euros ao projeto FIERCE, liderado por Nuno Cardoso Santos, investigador principal da equipa de Sistemas Planetários do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e professor da Faculdade de Ciências da U.Porto. Esta é a segunda Advanced Grant atribuída pela ERC a um investigador da U.Porto.

Existem atualmente mais de 5000 planetas a orbitar outras estrelas, vários deles do tipo rochoso, o que mostra que os exoplanetas são comuns no Universo. No entanto, apesar dos progressos recentes, ainda não foi possível identificar exoplanetas realmente semelhantes à Terra, à distância certa da sua estrela para serem temperados, com água líquida à superfície e uma atmosfera de nitrogénio e oxigénio. É neste contexto que surge o projeto FIERCE.

“O projeto FIERCE vai-nos dar a oportunidade de desenvolver os métodos de análise de dados, que nos irão permitir  detetar e estudar outras Terras, a orbitar outros sóis, utilizando instrumentos como o espectrógrafo ANDES, a ser desenvolvido para o ELT do Observatório Europeu do Sul”, explica Nuno Cardoso Santos. E acrescenta,  “Estes métodos serão fundamentais para que se possa estudar em detalhe os planetas rochosos hoje detetados, bem como os que serão descobertos por missões espaciais futuras, como a PLATO, da Agência Espacial Europeia”.

O projeto FIERCE (FInding Exo-eaRths: tackling the ChallengEs of stellar activity, ou encontrar exo-Terras: abordar os desafios da atividade estelar) vai abordar o problema do ruído estelar de um novo ângulo. Nuno Santos esclarece: “Para atingirmos os objetivos vamos construir um telescópio que, ligado ao espectrógrafo ESPRESSO4, instalado no Observatório do Paranal do ESO, nos vai permitir obter espectros detalhados da superfície solar.”

Esta já é a segunda vez que o ERC distingue Nuno Cardoso Santos. Em 2009, o investigador recebeu uma ERC starting grant de quase 1 milhão de euros, que lhe permitiu criar a equipa no então Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), instituição que em 2014 se fundiu com o Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa (CAAUL) para dar origem ao IA. Permitiu ainda o envolvimento científico do IA, ao mais alto nível, na conceção, planeamento e construção do ESPRESSO.

Na edição deste ano, a ERC recebeu 1735 pedidos de financiamento para Advanced Grants, 44% das quais na área das Ciências Exatas e Engenharia. Serão atribuídas cerca de 250 em toda a Europa.

Nuno Cardoso Santos foi recentemente distinguido pela Universidade do Porto com o Prémio de Excelência Científica.

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