Uber, Bolt e Glovo unem-se em nova associação para representar o sector: “A economia digital é complexa”

As três empresas, que são os principais operadores de entregas em Portugal, fundaram esta quinta-feira a APAD – Associação Portuguesa das Aplicações Digitais. “Entendemos que as nossas posições e propostas serão devidamente consideradas se estiverem consensualizadas”, diz fonte oficial ao Jornal Económico.

Há mais uma associação em Portugal e esta envolve algumas das principais aplicações de entregas que tem no telemóvel. A APAD (Associação Portuguesa das Aplicações Digitais) nasceu oficialmente esta quinta-feira, dia 22 de setembro de 2022, pela mão dos seus três membros fundadores – Bolt, Glovo e Uber – com o objetivo de agregar e representar os operadores do sector das plataformas digitais que têm atividade em Portugal.

Em declarações ao Jornal Económico, fonte oficial da associação – que furtou o acrónimo à Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos – explica que irá lutar pela flexibilização no trabalho dos estafetas e pedir uma reunião inicial ao Governo sobre o assunto, que, aliás, consta da Agenda do Trabalho Digno.

Questionada sobre se a intenção é abranger TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados) ou apenas apps de entregas que recorram a estafetas – como as concorrentes Loggi, Getir ou Bairro – e receber mais associados, a APAD explica que ainda se encontra “num processo inicial”, mas acredita que, “futuramente, existirá espaço para incluir potenciais futuros membros”.

Quais são as vossas prioridades de atuação na APAD?

A nossa prioridade imediata é a de dar a conhecer a associação, que irá consensualizar as posições das plataformas digitais a operar em Portugal e permitir estabelecer as bases de um diálogo construtivo e informado com diversos stakeholders. A longo prazo, a nossa missão assenta em estimular de forma continuada a evolução positiva do sector, encontrar novos pontos de contacto entre diferentes agentes da comunidade e posicionar a inovação portuguesa como uma referência, inclusive internacionalmente, para que tanto o sector como o país possam tirar o melhor partido possível da nossa associação. Entendemos que as nossas posições e propostas serão devidamente consideradas se estiverem consensualizadas, por um lado, mas também se assentarem em conhecimento e informação qualificados.

Já pediram uma primeira reunião com o Governo?

Ainda não pedimos, mas iremos pedir, oportunamente. Assumimo-nos abertamente como parceiros empenhados no diálogo social e no desenvolvimento do país. E o país desenvolve-se, também, se tiver uma economia digital sofisticada, capaz de gerar valor para a economia, sociedade e ambiente. Decidimos unir esforços precisamente para promover aquilo que as  plataformas digitais defendem, enquanto contribuímos de forma positiva para os interesses do país. A economia digital é complexa, por vezes pouco compreendida. Há um enorme trabalho de divulgação que tem que ser feito e nós podemos ajudar.

Este não é um modelo de negócio convencional. É preciso garantir total flexibilidade aos estafetas

Falam em lacunas de representação no sector. Tais como?

Para nós, é evidente, por exemplo, que qualquer regulação necessita de ter em conta a possibilidade de flexibilização e não forçar os estafetas a um modelo que eles não querem. Porque é que dizemos isto desta forma tão linear? Porque sabemos, através do estudo independente “Impacto Social e Laboral das Plataformas Digitais de Entrega em Portugal”, realizado pelo ISCTE Executive Education e do qual fomos promotores, que é isso que a quase totalidade dos estafetas pretende. Nove em cada dez, para sermos mais precisos. De acordo com esse estudo, mais de metade dos estafetas tinha um emprego a tempo inteiro antes de iniciar a atividade e a proposta atual não o permite. Não deve essa informação, esse conhecimento, ser partilhado e considerado pelos decisores? E esta realidade que o estudo nos demonstrou não é caso único.

Que outros exemplos existem?

Há uma onda de esforços a nível europeu para uma maior regulação do sector, mas que, segundo um estudo feito pela Copenhagen Economics, irá resultar numa perda estimada de rendimentos para os estafetas de até 800 milhões de euros, em toda a Europa. É preciso levar em atenção que este não é um modelo de negócio convencional, pelo que – tendo em vista o desenvolvimento sustentado do sector –  é preciso garantir total flexibilidade aos estafetas, para que estes assegurem o seu trabalho diário da forma que lhes for mais conveniente e lucrativa. Para defendermos convenientemente os interesses do sector, precisamos de falar como um. Cada empresa tem as suas especificidades e a sua realidade, mas há temas que queremos abordar conjuntamente. Fazendo-o, estaremos a dar a devida representação institucional a um sector cuja importância ao nível económico e social é incontornável e que, desejavelmente, deverá ser crescente.

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